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A ação que matou Soleimani foi um ato terrorista e isto precisa ficar evidente

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10 de Janeiro de 2020 às 11:00
Por ter sido uma ação estadunidense poucos são os meios de comunicação que chamam o ato pelo nome correto: terrorismo / Tauseef Mustafa/AFP
E é em meio a esta aquecida conjuntura internacional que começamos o ano de 2020

Imagine você, leitor, o seguinte cenário: dia 3 de janeiro, o principal general do exército dos Estados Unidos acaba de desembarcar numa manhã de sol no aeroporto da capital de algum país aliado. Toma o seu café-da-manhã ainda no aeroporto, pois em poucos minutos precisa participar de algumas reuniões com organizações e movimentos. Porém, no trajeto entre o aeroporto e o seu local de reunião, bombas do Irã, comandadas por drones, destroem todo o comboio matando a todos, incluso o general.

Esta cena narrada acima é quase verídica. Na realidade, invertem-se apenas os atores. Os ataques partiram dos Estados Unidos e o general morto chamava-se Qasem Soleimani, chefe da Guarda Revolucionária do Irã. Por ter sido uma ação estadunidense poucos são os meios de comunicação que chamam o ato pelo nome correto: terrorismo. A ação que matou o general Soleimani foi um ato terrorista e isto precisa ficar evidente. 

E é em meio a esta aquecida conjuntura internacional que começamos o ano de 2020. Nunca é fácil para nós, brasileiros e brasileiras, compreendermos o que se passa no Oriente Médio. Isso acontece porque aprendemos muito pouco sobre culturas tão ricas e importantes como às daquela região, quase sempre nos exposta com visões preconceituosas ou bastantes limitadas.

Antes de tudo, é preciso compreender que em 1979, no Irã, houve uma revolução que derrubou a ditadura do Xá Mohammad Reza Shah, ligado aos Estados Unidos. Desde então, o Irã tem mantido uma postura no mínimo independente com relação ao país presidido por Trump. 

O assassinato tem sido justificado como uma ação “defensiva”, classificando o general iraniano como terrorista. Os EUA vem acusando também o Irã de financiar organizações terroristas, esquecendo de mencionar que possui a Arábia Saudita como uma de suas principais aliadas no Oriente Médio, país este que possui uma das mais sanguinárias e cruéis ditaduras daquela região.

OS EUA e aliados, como Jair Bolsonaro, seguirão afirmando que a luta contra o Irã é uma luta contra o terrorismo e pela democracia. Mentira! Não passa de ataque a um país que possui os seus problemas, mas que age de forma soberana e não baixa a cabeça diante dos desmandos da potência imperialista, como faz Bolsonaro diante de Trump. A agressividade norte-americana é um retrocesso para o mundo e se posicionar contra é papel de todas as organizações democráticas.

Edição: Monyse Ravenna