Perseguição

Assange está “morrendo lentamente” por maus-tratos na prisão em Londres, diz amigo

Segundo pessoas próximas, ativista tem sofrido tortura psicológica na Inglaterra, onde está preso desde abril de 2019

Assange está preso em Londres desde abril de 2019
Assange está preso em Londres desde abril de 2019 | Crédito: Daniel Leal-Oivas / AFP

Julian Assange, fundador do Wikileaks, tem passado por torturas diárias na prisão, de acordo com pessoas ligadas a ele. Ele está detido em Londres desde abril de 2019, acusado pelos Estados Unidos de conspiração e espionagem.

Um dos denunciantes é o jornalista Vaughan Smith, amigo de Julian. Ele contou que, às vésperas do Natal, o ativista o chamou para denunciar as condições desumanas sob as quais está submetido.

“Ele disse a mim e à minha esposa como estava morrendo lentamente em Belmarsh, onde, apenas em prisão preventiva, é mantido em confinamento solitário durante 23 horas ao dia e é geralmente sedado”, relatou Smith.

Ainda no Twitter, o amigo de Assange disse que o fundador do Wikileaks tem conversado com dificuldade e “lentamente”, em razão dos sedativos administrados a ele. “Soava horrível. Foi muito desagradável ouvi-lo”.

Nils Melzer, relator especial da ONU sobre tortura, também denunciou os maus-tratos, em entrevista ao jornal britânico The Independent. Segundo ele, Assange está muito debilitado e corre risco de morrer em pouco tempo.

“A exposição contínua do senhor Assange a sofrimentos mentais e emocionais graves, à luz das circunstâncias, representa claramente tortura psicológica ou outro tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante”, delatou o funcionário das Nações Unidas.

Histórico

Julian Assange é vítima de perseguição desde 2011, um ano depois de publicar uma série de documentos sigilosos do governo estadunidense, denunciando atividades de espionagem e registros de guerra.

Após os vazamentos, os Estados Unidos abriram uma investigação criminal contra o ativista e pediram apoio internacional para puni-lo. Desde então, os norte-americanos pedem sua extradição.

Antes de ser preso pela polícia de Londres, Assange ficou refugiado na embaixada do Equador na Inglaterra, de 2012 até 2019, mas acabou detido após o presidente do país sul-americano, Lenin Moreno, declarar que o fundador do Wikileaks não tinha mais asilo porque violou “repetidamente as convenções internacionais sobre interferência doméstica”.

Editado por: Rodrigo Chagas

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