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Semana de cerimônias de colação de grau da UFC é marcada por protestos contra reitor

No segundo dia de colação de grau, a cerimônia foi abreviada, tendo uma duração total de 10 minutos

Brasil de Fato | Fortaleza (CE)

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No primeiro dia, Adufc-Sindicato e o DCE - UFC organizaram e realizaram manifestação contra Cândido Albuquerque, atual reitor da UFC. / Fotos: Divulgação/DCE-UFC

Na última terça-feira, 14, a Universidade Federal do Ceará (UFC) realizou cerimônia de colação de grau dos alunos dos cursos ofertados pela Faculdade de Medicina, Faculdade de Farmácia, Odontologia e Enfermagem, Instituto de Cultura e Arte, Instituto de Educação Física e Esportes, Instituto UFC Virtual e Instituto de Ciências do Mar. Na ocasião, o Sindicato dos Docentes das Universidades Federais do Ceará (Adufc-Sindicato) e o Diretório Central dos Estudantes da UFC (DCE - UFC) organizaram e realizaram manifestação contra Cândido Albuquerque, atual reitor da UFC.

Segundo nota divulgada pela UFC sobre o ocorrido, “O ato causou transtornos e abreviação da programação, quase provocando o cancelamento do evento da primeira turma a colar grau neste ano, o que não ocorreu devido à decisão firme do reitor de prosseguir com a solenidade, respeitando a Universidade e todos os presentes”. A vice-presidente da Adufc-Sindicato e professora do Departamento de Literatura da UFC, Irenísia Oliveira, informou que o ato realizado na terça-feira aconteceu no final da cerimônia de colação de grau, e que durou apenas alguns minutos, não interferindo na realização da cerimônia.

“No primeiro dia de colação de grau não houve o tradicional discurso do reitor que, normalmente se faz no púlpito. Toda vez que ele [reitor] falava, anunciava um curso, a gente vaiava. Quando nosso ato terminou fomos aplaudidos pelos formandos e parabenizados até pelos pais deles”, afirma Irenísia Oliveira.

“Estamos repudiando totalmente a ação da reitoria de ter encurtado. Quebraram diversos protocolos. Não deixaram ter o pronunciamento do estudante, do professor e apenas deixaram o do "reitor", que foi vaiado do início ao fim. Fizemos a intervenção na terça, dia 14, e em nenhum momento queríamos acabar com a colação, mas apenas denunciar e não deixar que fosse apenas mais um dia normal para o que pra gente é mais um interventor indicado por Bolsonaro.”, explica Douglas de Araújo, secretário geral do DCE.

Já na quarta-feira (15), segundo dia de colação de grau, a tradicional cerimônia foi abreviada, tendo uma duração total de aproximadamente dez minutos, segundo a assessoria de comunicação da Adufc. Em nota, a UFC alega que o abreviamento da solenidade se deu por “atitude inconsequente de um pequeno grupo formado por professores e pessoas estranhas à própria comunidade acadêmica”.

Irenísia Oliveira explica que no segundo dia de cerimônia não aconteceu uma manifestação organizada, o que houve foi uma vaia generalizada e espontânea, por parte de alunos e professores. “A nota divulgada pela UFC sobre o ocorrido de quarta-feira é uma mentira e desinformar a população e culpabiliza as instituições que realizaram os atos no dia anterior. Não houve ato e sim vaias generalizadas”. Irenísia Oliveira acredita que a nota divulgada pela UFC já estaria pronta antes mesmo da cerimônia, já que ela foi publicada na página da UFC dez minutos após o encerramento da colação.

A estudante do curso de Licenciatura de Ciências Biológicas, Sarah Lorrany da Cunha Lima, esteve presente na solenidade de quarta-feira. “Quando a cerimônia começou chamaram os representantes dos cursos, nesse momento não houve aplausos, como é de costume acontecer. Logo em seguida foi feito o juramento, esse momento foi tão rápido que não deu tempo nem de acompanhar a leitura de juramento. Depois disso teve a fala do reitor, nesse momento começamos a vaiar de tal forma que não deu mais pra ouvir a fala do reitor. De repente, no meio das vaias, ele para de falar e se retira e a música do tema das vitórias do Airton Senna começa a toca, encerrando a cerimônia”.

Para ela, a ação do reitor de se retirar e colocar um fim à cerimônia teve o objetivo de colocar a culpa nas pessoas que estavam vaiando. “No final da colação teve gente que criticou as pessoas que estavam vaiando. Mas eles não veem que a vaia tem toda uma questão política pela escolha do reitor feita por Bolsonaro”, finaliza.

O processo

Em agosto do ano passado, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) nomeou como novo reitor da Universidade Federal do Ceará (UFC) o advogado e professor Cândido Albuquerque, o menos votado na consulta pública com 610 votos. O mais votado foi Custódio Luís Silva de Almeida, com 7.772 votos.

Edição: Monyse Ravena