Impunidade

Editorial PR | Mortes sem punição em crime da Vale

As práticas predatórias das grandes empresas não enxergam o valor da vida para além dos lucros

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Rompimento da Barragem de Brumadinho (MG) completou um ano no último dia 25
Rompimento da Barragem de Brumadinho (MG) completou um ano no último dia 25 | Crédito: P. Batista

Cerca de 10 milhões de metros cúbicos de rejeitos, equivalentes a 4.200 piscinas olímpicas. Esse é o tamanho da enxurrada que levou embora 272 pessoas, entre mortos e desaparecidos, no rompimento da barragem de Brumadinho (MG), que completou um ano no último dia 25. Duas mulheres eram gestantes. Os números, porém, não traduzem o luto e o sofrimento das famílias. Enquanto isso, a responsável pelo crime-catástrofe, a mineradora Vale S/A, teve o seu valor de mercado recuperado.

Investigações da Polícia Federal indicam que a Vale sabia dos riscos de rompimento. O risco era 20 vezes maior que o “aceitável”. Mas, até hoje, não houve punição efetiva e muitas famílias seguem desamparadas. As práticas predatórias das grandes empresas não enxergam o valor da vida (humana, vegetal e animal) para além dos lucros. O Estado, em vez de pressionar a empresa e apoiar pessoas atingidas, move-se na direção contrária. O governo Bolsonaro tem o menor gasto com prevenção de desastres em 11 anos. Mesmo em situação desfavorável, a população segue lutando por justiça e memória. E nos mostra que passou da hora de construir uma política efetiva não só da segurança das barragens, mas da segurança das populações atingidas por essas barragens. 

Editado por: Fredi Vasconcelos

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