Crise na China

Veja o que se sabe e o que ainda é incerto sobre o surto do coronavírus

Por se tratar de um novo organismo, ainda pairam mais dúvidas do que certezas sobre o vírus até agora; 171 morreram

Brasil de Fato | Brasília |
Epicentro do vírus, China registra boa parte dos 6 mil casos confirmados no mundo
Epicentro do vírus, China registra boa parte dos 6 mil casos confirmados no mundo - Dale de la Rey/AFP

O crescimento diário de casos do novo coronavírus, conhecido como 2019-nCov, tem causado apreensão e dúvidas na população do mundo todo.

Até agora, a nova epidemia do coronavírus já matou 171 pessoas (todas na China) e infectou mais de 8 mil, em pelo menos 18 países, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, até a tarde desta quinta-feira (30), nove casos eram investigados como suspeitos – nenhum confirmado.

Como se trata um novo organismo (uma evolução da família do coronavírus), ainda há pouca informação sobre suas características e formas de combate. Mesmo entre a comunidade científica e órgãos de saúde, as dúvidas são maiores do que as respostas, até o momento.

Por isso, o Brasil de Fato fez um resumo com base no que dizem especialistas, Ministério da Saúde e Organização Mundial da Saúde. Confira a seguir:

O que é o coronavírus?

O novo coronavírus é a variação de uma grande família de vírus de mesmo nome, conhecida desde a década de 1960. O nome é inspirado em espinhos que o organismo possui na superfície, parecidos com uma coroa. Ainda não se sabe de que maneira ocorreu a mutação para o surgimento do novo vírus.

Na maioria dos casos, as infecções por coronavírus causam doenças respiratórias leves ou moderadas, como um resfriado. Mas já houve casos com manifestações mais graves, como a Síndrome Respiratória Aguda Grave, a Sars, em 2002, ou a Síndrome Respiratória do Oriente Médio, a Mers, em 2012.

Qual é a origem do vírus?

Os primeiros casos do 2019-nCov foram notificados em Wuhan, cidade com mais de 11 milhões de habitantes na China Central, há cerca de um mês.  

Os primeiros casos estavam associados a pessoas que tiveram contato com um mercado de peixes da cidade, o que levou autoridades chinesas a acreditarem que a transmissão ocorreu entre animais marinhos e humanos. Por enquanto, esta é apenas uma hipótese.

Como o vírus é transmitido?

Não se sabe ao certo quais são todas as formas de transmissão, mas há consenso de que são parecidas com a gripe comum – por meio do contato físico, pelo ar ou por secreção com contaminados.

Além disso, cientistas e infectologistas concordam que o vírus tem alto grau de infectividade, com alta capacidade de transmissão entre as pessoas.

Quais são os sintomas?

Em geral, os sintomas são semelhantes à gripe comum: tosse, dificuldade para respirar e febre. Em casos mais agudos, o vírus provocou pneumonia e insuficiência respiratória. No entanto, há registros de casos assintomáticos (quando pacientes não têm sinal de contaminação). Portanto, este ainda é um ponto a ser melhor esclarecido.

Qual a diferença entre gripe e o novo coronavírus?

Não existe diferença nos sintomas e sinais do novo coronavírus em comparação a outros vírus, como o influenza, da gripe. Em razão disso, as áreas de transmissão local são levadas em conta para o diagnóstico. Inicialmente, apenas pessoas com sintomas que viajaram para a região de Wuhan eram suspeitos da infecção pelo coronavírus. Na última segunda-feira (27), a  Organização Mundial de Saúde  aumentou de "moderado" para "elevado" o risco internacional do coronavírus no mundo e passou a considerar como suspeitos pessoas que apresentaram o sintoma e viajaram para qualquer região da China. medida que passou a ser adotada pelo Ministério da Saúde brasileiro a partir de terça-feira (28).

Quais cuidados devem ser tomados?

Evitar contato com pessoas que apresentem sintomas respiratórios (tosse, sinais de resfriado, febre) e, principalmente, sempre lavar as mãos são as principais recomendações médicas para o momento.

Outras dicas são evitar compartilhar objetos de uso pessoal, como copos, talhares ou garrafas, e não ter contato direto com animais selvagens ou em fazendas e criações.

Existe vacina ou tratamento?

Ainda não. Cientistas de vários países têm trabalhado para desenvolver vacinas contra o novo coronavírus. A Coalizão de Inovações em Preparação para Epidemias (Cepi), por exemplo, anunciou um fundo para apoiar três programas de desenvolvimento de vacinas contra o 2019-nCoV. Russos e chineses também afirmam estar em busca da vacina. Os testes devem começar em três meses.

Em relação ao tratamento, também não há algo específico. No caso do novo coronavírus, é indicado repouso e consumo de bastante água, além de algumas medidas adotadas para aliviar os sintomas.

O que o governo brasileiro recomenda?

Além dos cuidados básicos para evitar a contaminação, o Ministério da Saúde recomenda que os brasileiros evitem viagens à China – a não ser em casos de extrema necessidade. Também orienta que, ao menor sinal de sintomas, procure-se ajuda médica imediata para confirmar o diagnóstico e iniciar o tratamento.

Diariamente, o governo brasileiro promete divulgar novas informações e orientações sobre o coronavírus no site do Ministério da Saúde.

Edição: Leandro Melito