CRÔNICA

Olhos que condenam

"Aqui ninguém vende droga minha querida"

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“me disseram que vocês tavam vendendo” | Crédito: Gibran Mendes e Vanda Moraes

Esses dias, eu e um amigo, no bec bar ao lado da UFPR, encostados na parede, observando os “cogumelos" – apelido carinhoso que meu amigo deu ao pessoal alternativo.

De repente uma menina, cabelo colorido, meio alemã, meio cogumelo, parou na nossa frente, um sorriso cortava seu rosto de orelha a orelha, estendendo a mão como uma criança que pede doce ao pai:

– me vê 5!

– como assim, 5 o quê?

– 5 balas.

– aqui ninguém vende droga minha querida.

– desculpe, é que me disseram que vocês tavam vendendo.

– oloco, quem foi o bico sujo? Perguntou meu amigo.

– na verdade falaram que era duas pessoas encostadas numa parede, daí pensei que era vocês

– mas não é não, nem todo preto vende droga, moça.

E saiu ela, frenética e frustrada.

5 minutos depois, outra menina se aproximou, puxou uma conversa e chegou no mesmo assunto, se a gente sabia quem tinha … 50 pessoas, no mínimo, e nós os sorteados.

– mano, se vier a terceira a gente vai embora.

– vamo vazar que o próximo enquadro não vai ser dos cogumelo, vai ser direto da polícia, daí vai azedar nosso rolê.

Não demorou muito para que viesse o terceiro, um irmão negro, sotaque estrangeiro, perguntou se a gente tinha um deizão de maconha. Respondemos que não, saímos.

Editado por: Pedro Carrano

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