Opinião

Artigo | A estiagem e a opção do governo mínimo

Mais de 130 municípios do RS estão em estado de emergência por conta da seca, governo segue ausente

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Na região da Campanha, imagens de açudes completamente secos vão se tornando cada vez mais comuns. | Crédito: Corbari/ICPJ-BDF

Mais de cento e trinta municípios gaúchos já decretaram estado de emergência em função dos prejuízos causados pela forte estiagem que atinge o estado. Bilhões de reais em prejuízo para a economia de milhares de famílias, safras comprometidas, falta de água potável para beber, animais emagrecendo por falta de água e alimentação, baixa capacidade da bacia leiteira, comprometimento da produção de alimentos pelos pequenos produtores e endividamento generalizado, são algumas das consequências diárias das famílias que vivem da produção agrícola.

A estiagem não é um fenômeno novo no estado, ela vem ocorrendo recorrentemente e em espaços cada vez mais curtos, todavia, essa que ora estamos vivenciando já configura-se em uma das mais danosas dos últimos anos e caso persista por mais um breve período deve remontar às de período mais longo que já enfrentamos e com maiores prejuízos para as famílias e para a economia do estado, essencialmente agrícola. Desde que começaram os alertas e pedidos de providência por parte das entidades representativas dos pequenos e grandes produtores, o governo do estado tem diagnosticado causas e efeitos, prospectado sobre ações futuras de enfrentamento, mas pouco, muito pouco tem feito de ação imediata para a resolução do problema.

Entidades como o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) já denunciaram que a estiagem está comprometendo a produção de alimentos, que o alimento que chega à mesa do trabalhador gaúcho ficará mais caro e com menos qualidade, o presidente da APROSOJA de Tupanciretã afirma que o prejuízo com a produção da soja deve ultrapassar os 11 bilhões, sem quantificar os prejuízos com o milho, cultura mais atingida no estado e a diminuição da produção de leite/dia. A falta de salvaguarda do estado trará conseqüências à médio e longo prazo extremamente difíceis de enfrentar, sobretudo, para as famílias camponesas e de agricultores familiares. É sabido que um prejuízo da magnitude que esta estiagem está impondo compromete o investimento futuro e consequentemente a capacidade produtiva, por pelo menos cinco anos.

O Governador Eduardo Leite até aqui têm se provado um gestor comum, pouco capacitado para governar um estado em grave crise econômica onde é necessário ao gestor ter sagacidade e prioridades que elevem o bem estar coletivo e a melhoria de vida do povo. A estiagem tem apresentado ao povo gaúcho um gestor que governou a cidade de Pelotas em período de bonança e que ao que parece não sabe conduzir a governança em períodos de adversidade. Até aqui, tem rezado a cartilha ultraliberal do estado mínimo de Paulo Guedes e transformou seu governo em governo mínimo, tão mínimo que a maioria do povo sequer sabe quem é seu secretariado.

 

*Militante do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA)

Editado por: Marcos Corbari

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