8 de março

Artigo | A festa da alegria e a resistência das mulheres, por Lorena Lemos

Na contramão de Bolsonaro, as mulheres no Brasil têm travado as principais batalhas de oposição

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Bloco Afro Magia Negra fez seu arrastão pelo bairro Concórdia, em Belo Horizonte | Crédito: Luiz Rocha / Mídia NINJA

Desde a posse de Jair Bolsonaro, em janeiro de 2019, podemos elencar uma série de atos, decretos ou falas do atual presidente destinadas às mulheres, que demonstram como o governo federal e seus respectivos ministérios, diariamente, têm atacado os direitos conquistados por meio da luta feminista.

Com políticas antissociais que desmantelaram o programa Bolsa Família, a Previdência Social, o Programa Minha Casa Minha Vida e também a redução dos investimentos no Sistema Único de Saúde (SUS), sabemos que o impacto principal será sobre a vida das mulheres, com destaque para as mulheres negras periféricas.

Outras questões também corroboram para esse cenário trágico, como a redução dos investimentos nos programas e ações de enfrentamento às violências contra as mulheres da Secretaria da Mulher, atualmente vinculada ao Ministério da Mulher, da Família e dos  Direitos Humanos, e as abordagens vulgares e de desrespeito às mulheres que repetidamente têm feito parte  das falas do presidente. Essas falas demonstram não só a falta de decoro de Bolsonaro, como também podem servir de incentivo para outras do tipo. A partir de seu exemplo, outros homens podem se espelhar nesse horroroso retrato de misoginia e machismo.

Na contramão de Bolsonaro, as mulheres no Brasil têm travado as principais batalhas de oposição a estes posicionamentos e retrocessos políticos. O começo foram os atos #EleNao, ocorridos em setembro de 2018, em que mulheres de diversos movimentos sociais e políticos, das artes, da música e do carnaval levaram milhares de pessoas às ruas para denunciar que Jair não as representava. 

Em tempos sombrios, o brilho no olhar, as cores das fantasias, o glitter nos rostos, a liberdade de seus corpos e o canto das mulheres, que ecoaram em Belo Horizonte e em diversas cidades durante o carnaval, demonstraram a potência da força política e a alegria da luta feminina diante deste cenário e da crise que o país atravessa.

Em tempos em que uma ministra propõe uma campanha como a “Tudo tem seu tempo”, pregando a abstinência sexual de adolescentes como um método contraceptivo, em tempos de aumento do acesso ao porte de armas, do crescimento dos feminicídios, as mulheres resistem: ocupando as ruas, conduzindo blocos inteiros, regendo dezenas de baterias, cantando para multidões, levando palavras de esperança e luta para os quatro cantos.

A beleza da alegria sobre a tristeza é saber que mesmo nesse contexto não deixaremos que eles pisem nas flores que semeamos durante a nossa jornada, que gente é pra brilhar, que as mulheres juntas ocupando as ruas são um baque na estrutura machista e patriarcal de nossa sociedade, que só da luta brotará a liberdade, em brutas flores. E nas fantasias, falas e faixas não esquecemos de mandar o nosso alô aos que desejavam impedir a festa do povo.

No próximo domingo, dia 8 de março, as mulheres sairão às ruas em marcha pelo Dia Internacional de Luta das Mulheres. Em Belo Horizonte, o levante feminino e popular sairá às 9 horas da Ocupação Pátria Livre (Rua Pedro Lessa, 435 – Santo André), com tambores, caixas, repiques, surdos, tamborins, agogôs, faixas, cartazes e muitas cores ocupando a cidade e afirmando que “Só da luta brota a liberdade”.

*Lorena Lemos é ritmista dos blocos Corte Devassa, Alô Abacaxi e Angola Janga e militante da Frente Brasil Popular.

Editado por: Camila Maciel e Joana Tavares

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