Transmissão local do coronavírus deve estar no epicentro das preocupações

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Em São Paulo e no Rio de Janeiro, aulas de universidades foram suspensas, assim como em outras regiões do país - Marcelo Camargo/Agência Brasil
OMS “reconhece que a epidemia atravessa o mundo”, afirma especialista

As organizações internacionais tentam entender e frear a pandemia causada pelo coronavírus, que já ultrapassou o número de 6 mil mortes e 160 mil infectados em todo o mundo, até esta segunda-feira (16). Somente na Itália, onde as medidas de contingência do vírus foram tomadas tardiamente, segundo especialistas, foram registradas 368 mortes em período de 24 horas.

Os fatos mostram que a doença causada pelo covid-19 está longe de ser uma simples gripe, como autoridades e líderes religiosos querem fazer crer. A mudança de da nomenclatura de epidemia para pandemia, declarada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), “reconhece que a epidemia atravessa o mundo”. É o que diz Cláudio Maierovitch, médico sanitarista e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), de Brasília, em entrevista ao Brasil de Fato

A doença, de janeiro para cá, alcançou todos os continentes e a chamada transmissão sustentada, ou seja, os novos casos não são apenas aqueles que viajaram ou tiveram contato com viajantes, mas que foram infectados localmente.  

“A pandemia, do ponto de vista técnico, é definida como uma epidemia, ou seja, um momento anormal dos casos de uma doença, que acontece em mais de dois continentes. Para que isso que seja caracterizado, é necessário que haja transmissão ativa da doença, aquilo que se chama de transmissão sustentada”, afirma Maierovitch. 

Deixou de ter sentido então, segundo o pesquisador, olhar apenas para os países onde a doença tem se propagando de maneira exponencial e para os viajantes que vêm desses locais. A classificação de pandemia vem, portanto, também para que cada país “preste muito mais atenção nas medidas que devem ser tomadas no seu território, nos serviços de saúde, para a prevenção e preparação em relação à uma doença que deverá ocorrer em grande número”. 

A Fiocruz, em parceria com o Ministério da Saúde, está treinando técnicos de laboratórios públicos para realizar testes em pacientes com suspeita de infecção pelo covid-19 e produzindo kits para realizar as testagens. O treinamento inclui recomendações sobre os procedimentos acerca do teste, como transporte de amostras, e questões de biossegurança para os próprios técnicos. Até dia 20 de março, a fundação prevê o treinamento de funcionários em todos os estados brasileiros.

O que o governo brasileiro tem feito?

Depois que a OMS declarou pandemia, os governantes brasileiros têm seguido a recomendação internacional de cancelar eventos e cruzeiros turísticos. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, aulas de universidades foram suspensas, assim como em outras regiões do país. 

Na última sexta-feira (13), o governo federal publicou a Medida Provisória (MP) 924/2020, que libera cerca de R$ 5 bilhões para a saúde pública no enfrentamento da crise causada pelo novo coronavírus. Deste total, aproximadamente R$ 4,8 bilhões serão encaminhados para ações coordenadas entre o Ministério da Saúde e estados e municípios. O restante será direcionado a hospitais universitários federais.

Para ajudar na crise, no último domingo (15), o secretário-executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo, declarou que a pasta irá contratar cerca de 5 mil médicos cubanos, na esfera do Mais Médicos, para auxiliar no combate à pandemia. A declaração foi feita em cima de um edital publicado pelo ministério na quinta-feira (12) que prevê o reforço do programa de saúde.

Por fim, até o momento, também na quinta-feira, o governo anunciou a contratação de duas mil vagas extras em unidades de terapia intensiva (UTIs) e a ampliação do números de postos de saúde que funcionam em horário estendido, até 22h.

Edição: Leandro Melito