Em universidade de Pernambuco, estudantes usam teatro para explicar agroecologia

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Apresentações acontecem em espaços acadêmicos e comunitários - Foto: Raysa Lemos
Peça surgiu de uma adaptação de cartilha sobre sementes crioulas

Representar a agroecologia em poucos minutos não é tarefa fácil.  Como pensar, por exemplo, uma linguagem capaz de dialogar entre diferentes culturas e debater sobre diferentes paradigmas? O teatro é um dos caminhos encontrados por uma experiência acadêmica em Petrolina (PE) no Sertão do São Francisco pernambucano, para tecer os diversos saberes que fazem a agroecologia, enquanto prática, ciência e política. 

O Núcleo de Estudos em Agroecologia (NEA) Sertão Agroecológico, da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF) organizou um evento científico em outubro de 2019. Na oportunidade, parte da programação do evento contou com oficina de leitura dramatizada de histórias agroecológicas. Assim, mestrandas da instituição escolheram a cartilha “Semente crioulas é legal: a nova legislação brasileira de sementes e mudas”, publicada pela ANA (Articulação Nacional de Agroecologia).

Passado o evento científico, as mestrandas Kátia Gonçalves e Neuraide Marinho decidiram manter e ampliar a experiência. A leitura dramatizada ganhou cenários e interpretações corporais, além de algumas adaptações. Por exemplo, na cartilha os personagens Genésio e Jovelino foram substituídos por Zefinha e Maria. Além disso, novos temas como questão de gênero, direito à comunicação, plantas medicinais, cultura popular e convivência com o semiárido foram inseridos na peça teatral. 

“O foco é discutir a conservação das sementes crioulas, uma vez que representa o modelo ancestral de produção alimentar das famílias agricultoras tradicionais, além de assentados da reforma agrária, quilombolas e indígenas que lutam contra essa inserção das sementes híbridas e transgênicas”, relata a mestranda Kátia Gonçalves, ou, Maria, na peça teatral.

Apesar de poucos meses de vida, a experiência intitulada “Teatralizando Sementes no plantio agroecológico” já contabiliza algumas participações em eventos acadêmicos, além de apresentações nas áreas rurais do entorno de Petrolina. A atividade ampliou os olhares sobre formas de extensão universitária para o NEA Sertão Agroecológico. 

“Ao trabalhar o teatro, como essa estratégia de comunicação há uma troca de cheiros, sabores, sentimentos, conseguimos ler nos olhos das pessoas que estão nos assistindo. Os olhos brilham. E dentro da perspectiva foi construído esse texto, vemos que os jovens, as crianças, os idosos conseguem fazer uma leitura, todos conseguem participar e entender a proposta do teatro”, analisa a comunicadora popular Kátia.    

A peça está baseada pelo métodos do Teatro do Oprimido. Cada apresentação dura entre 25 e 30 minutos e conta com a participação ativa de quem estiver assistindo, por meio de exercícios corporais e dinâmicas de grupo. A peça também prevê espaços para que todas as pessoas possam expressar as realidades locais em que estão inseridas. 

“O teatro tem possibilitado chegarmos de uma forma mais adequada, diferenciada, com uma abordagem que permite a integração. A nossa avaliação dessa iniciativa é muito positiva e já tem surgido, inclusive, convites para se apresentar em vários espaços e várias situações. Bem como têm surgido outras ideias, de trabalharmos outras temáticas da extensão, a partir da abordagem do teatro”, destaca Helder Ribeiro Freitas, coordenador do Núcleo de Estudos e Pesquisa - Centro Vocacional Tecnológico Sertão Agroecológico da UNIVASF.  

O enredo de “Teatralizando Sementes no plantio agroecológico” percorre as histórias de vida de Maria e Zefinha pela autonomia no cultivo e manejo de alimentos saudáveis, através da preservação e armazenamento de sementes crioulas. Para quem desejar entrar em contato com a experiência o e-mail é [email protected]

 

Edição: Lucas Weber