Agentes comunitários de saúde tornaram-se educadores em meio a crise do coronavírus

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Pesquisadora destaca a importância desse trabalhador na disseminação de informações seguras - Dênio Simões/Agência Brasília
“Ele tem condições para levar informações para os serviços organizarem a sua atuação”

Em meio à pandemia provocada pelo novo coronavírus, o papel do agente comunitário de saúde (ACS) é o de educador em saúde. É o que explica a professora e pesquisadora da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio, da Fundação Oswaldo Cruz (EPSJV/Fiocruz), Marcia Valéria Morosini.

“As práticas educativas que ele [ACS] realiza diariamente nos diferentes territórios, no contato cotidiano com os moradores, especialmente no contexto das visitas domiciliares, são um meio importante de divulgação de informações seguras, tanto para a prevenção das doenças quanto para a promoção da saúde”, afirma Morosini. 

Para ela, o trabalho do agente também apresenta um sentido inverso e complementar, uma vez que a presença do trabalhador nos território é “fundamental” para observar as condições de vulnerabilidade e situações clínicas que requerem a intervenção dos serviços públicos.“É ele que tem condições especiais e propícias para levar essas informações para os serviços de forma que os serviços organizem a sua atuação sobre essas situações e condições".

A pesquisadora ainda lembra que o trabalho do ACS se faz presente em um país “muito grande e infelizmente muito desigual”, nos lugares mais “longínquos e de difícil acesso em relação aos centros urbanos e aos próprios serviços de saúde”. 

“No caso de situações que exigem respostas rápidas, como essa pandemia que estamos atravessando, contar com o trabalhador nos territórios, como o ACS, pode representar uma diferença significativa na evolução da epidemia e em suas consequências”, afirma a pesquisadora. 

Em Arapiraca, no estado de Alagoas, a Prefeitura convocou, no dia 17 de março todos os agentes, com exceção daqueles que integram o grupo de risco, para realizarem uma campanha preventiva de combate ao coronavírus. Segundo o prefeito Rogério Teófilo (PSDB), os agentes devem orientar os cidadãos do município como se prevenir e o que fazer em caso de suspeita.

Em outras cidades, como Campo Grande e Santos, o trabalho dos agentes será mais focado nos próprios postos de saúde, onde poderão, por exemplo, encaminhar os pacientes para uma sala de isolamento respiratório.

De acordo com o Ministério da Saúde, os cerca de 42 mil postos de saúde espalhados pelo Brasil têm capacidade para atender 90% dos casos de pessoas infectadas pelo novo coronavírus. Isso porque 80% dos casos devem apresentar sintomas leves, como febre baixa, tosse, dor de garganta e coriza.

Por isso, a pasta está reforçando a capacidade assistencial da atenção primária durante a pandemia, o que inclui o trabalho dos agentes comunitários de saúde nos postos de saúde. 

Edição: Leandro Melito