Solidariedade

Em esforço conjunto, costureiras fazem máscaras para população de rua no ABC

Objetivo é distribuir 10 mil itens. Até agora, 3 mil já foram feitos por voluntárias

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“Temos de nos unir e fazer a nossa parte.” - Sindicato dos Trabalhadores em Confecção do ABC

Uma ação conjunta, organizada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Confecção no ABC, vai permitir a distribuição de 10 mil máscaras para a população de rua e moradores de bairros carentes na região. Até agora, 3 mil máscaras de pano foram costuradas pelas voluntárias, entre diretoras do sindicato e trabalhadoras desempregadas.

A presidenta da entidade, Cidinha Ferreira, conta que na primeira semana de quarentena percebeu a grande procura por máscaras e pensou na dificuldade de acesso para a população mais vulnerável. Ao passar perto do restaurante Bom Prato, em Santo André, onde as pessoas costumam chegar pelo menos duas horas antes do horário da refeição, viu que elas “estavam muito próximas umas das outras nas ruas”, sem qualquer informação. “Aquilo me chamou muito a atenção”, diz.

Ela começou a conversar com pessoas de outros sindicatos, como bancários, gráficos, metalúrgicos e químicos. Aos poucas, outras entidades foram se envolvendo, como um escritório de advocacia (Cascone), uma empresa do setor (Filó), o ex-prefeito andreense Carlos Grana e também o sindicato patronal da confecção, formando uma corrente de apoio.

Responsabilidade

Agora, 10 voluntárias estão trabalhando, seis na sede do sindicato, no bairro Casa Branca, em Santo André, e quatro em suas casas, das 8h às 17h. As primeiras 3 mil máscaras foram feitas em uma semana. “Duplas, laváveis e costuradas”, lembra Cidinha. São duas embaladas em um saquinho, para que a pessoa use uma enquanto está lavando a outra. A distribuição ainda não começou a ser feita.

“Nosso papel não é só negociar e brigar”, afirma Cidinha, sobre a responsabilidade social dos sindicatos. “Temos de nos unir e fazer a nossa parte.” Com ajuda de parceiros, as voluntárias, algumas fora do mercado de trabalho, receberão um auxílio financeiro, além de uma cesta básica.

A presidenta do sindicato observa ainda que a produção de máscaras segue as regras de segurança para prevenção. Durante o trabalho, as costureiras usam máscaras e constantemente higienizam as mãos com álcool gel. “Quando convidamos as costureiras para ajudar foi uma alegria. Muitas abraçaram esta causa e disseram que ajudar ao próximo é um valor sem tamanho, um ato de humanidade.”