Reação à pandemia

MST doa 45 toneladas de alimentos a hospitais, asilos e comunidades paranaenses

"A mensagem que o MST quer passar para as pessoas é a da solidariedade", diz dirigente do movimento

Brasil de Fato | Curitiba (PR) |
Mobilização marca o Dia Nacional de Luta pela Reforma Agrária - Dandara Sturmer

Assentamentos e acampamentos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) se mobilizaram em novas doações de alimentos nesta sexta-feira (17). Hospitais, asilos e famílias carentes de todas as regiões do Paraná receberam mais de 45 toneladas de alimentos produzidos pelos camponeses sem-terra, entre grãos, frutas, legumes, tubérculos, folhosas, leite e mel. Entre os dias 7 e 13 de abril, as comunidades paranaenses do movimento já haviam doado cerca de 35 toneladas de alimentos.

A ação integra uma campanha nacional do MST em solidariedade a quem sofre com a falta de alimentos por consequência da pandemia do novo coronavírus.

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A ação desta sexta, 17 de abril, também marca o Dia Nacional de Luta pela Reforma Agrária, criado em memória aos 21 trabalhadores sem-terra assassinados no massacre de Eldorado do Carajás, no Pará, em 1996.

“Em função desse momento atual de crise de saúde pública, a melhor forma de nós mantermos a lealdade e a memória a esses lutadores e camponeses, que deram a vida em prol de uma causa de repartir a terra, é repartir o que temos de melhor, que é o fruto do nosso trabalho, que é o nosso alimento”, afirma Roberto Baggio, da coordenação nacional do MST.

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Ceres Hadich, assentada no Norte do Paraná e também membro da coordenação do movimento, frisa o mês de abril como um período especial da luta pela terra, por ser até hoje, 24 anos depois, um marco da impunidade dos crimes no campo.

“A nossa forma de combater a impunidade e lidar com esse luto é fazendo luta. Historicamente o MST se dedicou à luta pela democratização da terra, como parte do processo de democratização da sociedade brasileira. E nesse período difícil que a sociedade brasileira atravessa com o coronavírus, a mensagem que o MST quer passar para as pessoas é a da solidariedade. É necessário, mais do que nunca, a gente compartilhar o que a gente tem, e não o que nos sobra”, declara.


Alimentos produzidos por trabalhadores sem-terra foram doados em ações de solidariedade no Paraná (Foto: Giorgia Prates)

Ações em cidades paranaenses

Em Curitiba, cooperativas da reforma agrária doaram 1.500 litros de leite integral ao Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR). O alimento é da marca Terra Viva, beneficiado pela Cooperativa Central de Reforma Agrária de Santa Catarina (CCA/SC), composta por 13 cooperativas e associações filiadas.

Ainda na capital do estado, cerca de 3 toneladas de alimentos foram distribuídas a famílias do Jardim Pantanal, do Boqueirão, da ocupação Portelinha e do Santa Quitéria. Integrantes e apoiadores do MST também produziram e estão distribuindo cerca de 500 marmitas à população em situação de rua da cidade.

Cerca de 1,5 tonelada de alimentos produzidos pelo assentamento Contestado foram distribuídos no bairro São Lucas, na cidade da Lapa.

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Nas regiões Norte e Centro-oeste do estado, dez assentamentos e acampamentos se uniram para doar 5.680 litros de leite integral: 416 litros foram distribuídos para o Hospital Universitário (HU) de Londrina; 400 litros ao Hospital do Câncer de Londrina; 500 litros doados em bairros de Arapongas; 200 litros no Hospital Regional de Ivaiporã; os 4.164 litros restantes serão entregues ao HU e ao Hospital do Câncer de Londrina ao longo das próximas semanas, de forma programada, para atender à demanda e à capacidade de armazenamento das instituições de saúde.

O transporte, beneficiamento e entrega do leite será realizado pela Cooperativa de Comercialização e Reforma Agrária União Camponesa (Copran), localizada no assentamento Dorcelina Folador, em Arapongas. Outras três cooperativas do MST participam da ação.

Além do leite, bairros populares de Arapongas receberam 1 tonelada de alimentos frescos, organizados em 250 kits.

Em Florestópolis, famílias dos acampamentos Zilda Arns e Manoel Jacinto Correio e do assentamento Florestan Fernandes doaram 1,5 tonelada para a Paróquia São João Batista, que atende famílias carentes da cidade.

Em Centenário do Sul, as famílias do acampamento Fidel Castro e assentamento Maria Lara doaram 3 toneladas de alimentos para cerca de 300 famílias, ao Asilo Nossa Senhora das Graças e à Casa Paroquial do município. Em Porecatu, as famílias do acampamento Herdeiros da Luta de Porecatu entregaram 700 quilos de alimentos para o Hospital Municipal e para o asilo da cidade.

Em Jacarezinho, integrantes do assentamento Companheiro Keno doaram 2 toneladas de alimentos ao asilo municipal e às comunidades urbanas Pedreira e Nossa Senhora das Graças. Entre os itens doados estavam mandioca, batata doce, abacate, milho verde, quiabo, alface, limão, mamão, amendoim e leite.

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Também como parte das ações em memória ao Massacre de Eldorado do Carajás, famílias do assentamento Eli Vive doaram 1 tonelada de alimentos para o Asilo São Vicente de Paula, que atende 102 idosos em Londrina, na quarta-feira (14).

Na cidade de Alvorada do Sul, o assentamento Iraci Salete fará entrega no CRAS do município, e em Primeiro de Maio, o assentamento Barra Bonita fará uma doação de alimentos ao asilo do município, na próxima semana. As duas comunidades doarão, do todo, 600 quilos.

O assentamento 8 de Abril, de Jardim Alegre, doou 4,2 toneladas de alimentos ao Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) e ao Hospital da cidade, e em Ivaiporã ao Hospital Regional Bom Jesus e à Paróquia Espírito Santos, que irá distribuir às famílias carentes da região.

Famílias sem-terra do Noroeste do estado doaram 6 toneladas de alimentos a comunidades carentes do município de Paranavaí. A ação envolve assentamentos e acampamentos dos municípios de Santa Cruz do Monte Castelo, Querência do Norte, Planaltina do Paraná, Amaporã, Paranacity e Cruzeiro do Sul.


Por todo o estado paranaense foram realizadas doações de alimentos (Foto: Giorgia Prates)

Em Maringá, a Escola Milton Santos doou 200 quilos de alimentos à Associação de Mulheres do Jardim Alvorada, em conjunto com a Pastoral da Criança do mesmo bairro. A produção é totalmente agroecológica e realizada pelos próprios moradores da Escola. Os produtos doados foram verduras folhosas, banana, mandioca e limão.

Cerca de 5 toneladas de alimentos foram doados por famílias sem-terra de Laranjeiras do Sul, das comunidades Recanto da Natureza, Passo Liso, Antônio Conrado, Porto Pinheiro e 8 de Junho. Os produtos foram organizados em 500 cestas e distribuídos para bairros carentes, para os dois hospitais de Laranjeiras, São Lucas e São José, e para o Asilo São Francisco Xavier. Outras 2 toneladas de alimentos foram distribuídas por acampamentos de Quedas do Iguaçu, e 2 toneladas por comunidades de Rio Bonito do Iguaçu.

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Acampamentos e assentamentos da região Oeste do Paraná fizeram uma doação de cerca de 1 tonelada de alimentos ao Asilo São Vicente e ao Hospital do Câncer de Cascavel (UOPECCAN). Também foram doadas cerca de 3 toneladas ao hospital de Matelândia, para comunidades carentes de Catanduva e de São Miguel do Iguaçu, além do órgão de Assistência Social da prefeitura de Santa Tereza do Oeste.

Na região Sudoeste do estado, cerca de 4 toneladas de alimentos foram entregues em Clevelândia, na Escola Municipal Arnaldo Buzato, na Casa Lar e em um bairro da cidade. Os alimentos doados foram produzidos pelos acampamentos Mãe dos Pobres e Terra Livre, ambos de Clevelândia.

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Além de comida, a Cooperativa de Produção Agropecuária Vitória (Copavi), localizada no assentamento do MST Santa Maria, em Paranacity (PR), doou 60 litros de álcool 70% para o Hospital Municipal Doutor Santiago Sagrado Begga, no dia 2 de abril. O álcool foi destinado aos profissionais de Saúde do município.

Fonte: BdF Paraná

Edição: Lia Bianchini e Vivian Fernandes