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Rio de Janeiro entra em curva descontrolada de casos de covid-19

Mais de 300 pessoas aguardam por um leito de UTI no estado; campanha pede que SUS administre todo o sistema de saúde

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ) |
Especialistas apontam a necessidade de uso de UTI privadas no tratamento de pacientes para evitar colapso ainda maior - Divulgação

O Rio de Janeiro está em uma curva descontrolada de casos de covid-19, segundo o secretário estadual de Saúde, Edmar Santos. Com a falta de leitos e o número de infectados em evolução, o estado deve entrar em colapso até o fim de maio. O estado registrou 738 mortes e 8.504 casos de contágio confirmados de acordo com o último balanço divulgado pela secretaria.

A situação é especialmente grave na Baixada Fluminense, região onde prefeitos já relatam que não há leitos de unidade de terapia intensiva (UTI). Estudo da Fundação Perseu Abramo aponta que os municípios que compõem a Baixada Fluminense são os mais vulneráveis à expansão do coronavírus em virtude da alta densidade demográfica e de deficiências no sistema de saúde e infraestrutura sanitária.

“Nós temos 8 mil casos. Se a gente entender que tem de 15 a 20 de não diagnosticados para cada um desses, a gente tem uma base de 140 mil pessoas infectadas. Isso projeta para as próximas duas semanas a necessidade de 21 mil leitos de enfermaria e 7 mil de centro de terapia intensiva (CTI), o que obviamente é matematicamente impossível“, explicou Santos.

Mais de 300 pessoas aguardam na fila para um leito de UTI no estado do Rio de Janeiro. Especialistas apontam a necessidade de uso de UTIs privadas no tratamento de pacientes para evitar colapso ainda maior no sistema de saúde. A ideia defendida pela Campanha Leito para Todos propõe que a gestão de toda a rede hospitalar, inclusive a privada, passe a ser realizada pelo poder público durante a pandemia.

Faltam profissionais

Outro problema grave é a falta de profissionais da saúde para atuar em unidades de tratamento intensivo. Segundo o secretário Edmar Santos, mesmo que fossem abertos mais leitos de UTI, não há mão de obra qualificada para atuar nas unidades. "Temos esse teto [3,4 mil leitos] porque não há profissionais de saúde, médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, em número suficiente para abrir leitos", explicou, se referindo aos 3,4 mil leitos em hospitais de campanha que serão abertos no estado.


Campanha propõe que a gestão de toda a rede hospitalar, inclusive a privada, passe a ser realizada pelo poder público durante a pandemia/ AFP

 

Fonte: BdF Rio de Janeiro

Edição: Camila Maciel e Vivian Virissimo