Especial 1° de Maio

Entidades do RS fazem ato virtual nesta sexta-feira, Dia do Trabalhador

Manifestações políticas e culturais serão transmitidas ao vivo, das 9h30 às 11h30, em página no Facebook

Brasil de Fato | Porto Alegre (RS) |
No Rio Grande do Sul, ato virtual será transmitido ao vivo pela Rede Soberania, Brasil de Fato RS, centrais sindicais e movimentos sociais - Divulgação

O 1º de Maio, Dia Internacional do Trabalhador e da Trabalhadora, será bem diferente em 2020 diante do isolamento social de combate ao novo coronavírus. As tradicionais manifestações de rua pelos direitos dos trabalhadores ganham um formato virtual nesta sexta-feira em todo o Brasil, tendo como principais bandeiras solidariedade, saúde, emprego, renda e democracia.

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Os atos são promovidos pelas centrais sindicais e movimentos sociais, para marcar a data reconhecida como uma das mais importantes para apresentar as pautas e reivindicações da classe trabalhadora. Neste ano, envolvem não só o enfrentamento da pandemia, mas também medidas diante das crises política e econômica e institucional, e dos ataques permanentes aos direitos sociais e trabalhistas.

Por meio da página facebook.com/redesoberania, as centrais sindicais do Rio Grande do Sul promovem uma transmissão ao vivo, das 9h30 às 11h30 desta sexta-feira (1º), com a participação das frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, movimentos sociais, partidos aliados, senador Paulo Paim, ex-governador Olívio Dutra e atrações culturais. Devido às medidas de isolamento, os participantes vão falar desde suas casas. A transmissão será feita pela Rede Soberania e pelo Brasil de Fato RS e compartilhada pelos diversos coletivos envolvidos, formando uma grande rede de comunicação. Na abertura do ato, será lançado o clipe O Povo Unido, com uma versão em português do hino chileno El Pueblo Unido Jamás Será Vencido, gravado pelo Grupo Unamérica.

Em defesa da vida, "Fora, Bolsonaro"

Para o presidente da Central Única dos Trabalhadores do Rio Grande do Sul (CUT-RS), Amarildo Cenci, o momento é de defender as conquistas dos trabalhadores, o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), a geração de empregos, a educação pública de qualidade, a taxação das grandes fortunas, a distribuição da renda e a melhoria das condições de trabalho. “Mesmo sem tomar as ruas e as praças, vamos levantar a nossa voz em defesa da democracia e pelo afastamento de Bolsonaro, cujo governo já mostrou que veio para continuar o golpe contra os direitos do povo brasileiro e, apesar da pandemia, não para de fazer medidas provisórias, projetos de lei e decretos que atacam a vida, a saúde, o emprego e a renda das pessoas”, afirma.

Haverá entrega de doações de cestas básicas de alimentos e máscaras de proteção para famílias vulneráveis, muitas passando fome e mais expostas à contaminação do coronavírus, aponta Amarildo. “É trabalhador ajudando trabalhador na resistência pelo direito à vida”.

“Estamos em meio de uma das maiores pandemias humanas registradas em nosso planeta”, ressalta o presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB) no RS, Nelcir André Varnier. Ele também destaca que são os trabalhadores, mesmo atacados em seus direitos, que estão amenizando os impactos do isolamento com suas ações solidárias de captação e doações de recursos para os mais atingidos. “Como sempre, estamos fazendo a nossa parte, temos ajudado muitas pessoas, conseguimos despertar certo grau de consciência sobre os fatos e estimulamos ações transformadoras, acreditamos que a humanidade sairá mais fortalecida e solidária de tudo isso. Mas cada país pagará um preço alto e irrecuperável, como milhares de vidas de entes queridos e irmãs e irmãos brasileiros, visto que a ignorância e maus exemplos do presidente Bolsonaro chega a beirar a insanidade.”

Nelcir critica as medidas iniciais do governo de propor a ajuda emergencial de R$ 200 e a suspensão dos contratos de trabalho, situação que foi amenizada graças à luta do movimento sindical e sociedade organizada. Nesse sentido, lamenta que o país esteja “à deriva, sem perspectivas positivas para o povo e os trabalhadores” e critica as reformas aprovadas, que diminuíram direitos dos trabalhadores com a justificativa de que seriam gerados empregos. “Uma das reformas já faz mais de dois anos e a outra quase um ano, ambas apoiadas e patrocinadas pela política dos atuais governos do Bolsonaro, do governador Eduardo Leite e do prefeito de Porto Alegre, Marchezan, que são a tríade do mal”, afirma.

Ex-presidente do CPERS e dirigente da CSP-Conlutas, Rejane de Oliveira também destaca o 1º de Maio em meio à crise pandêmica, que “resultará pela vontade do governo Bolsonaro e Mourão em grave tragédia para os trabalhadores e suas famílias”, agravada pela “sanha privatista já levada a efeito pelo governo”. Para ela, a história ensina o caminho da luta de classes, “a única com potencial para fazer frente a monstruosidade desse sistema baseado no individualismo e na competição. Por isso, políticas de conciliação não só desarmam, mas resultam em tragédias para a nossa classe, como por exemplo a vitória dos protofascistas Bolsonaro e Mourão”, avalia.

Na avaliação da dirigente, “a retirada de direitos, o corte radical de políticas públicas, a liberação para o mercado em um quadro de pandemia significa claramente um genocídio”. Por isso, explica, a CSP-Conlutas, está “lado a lado com a classe trabalhadora para resistir, defender o isolamento social garantindo o emprego e salário”.

Neiva Lazzarotto, da coordenação da Intersindical RS, aponta a confluência de crises vividas neste Dia Internacional do Trabalhador e da Trabalhadora. “A pandemia do novo coronavírus; a crise econômica iniciada em 2008 e agora agravada com o problema do petróleo e a crise sanitária; uma crise climática preocupante, vide a estiagem que assola mais de 300 municípios gaúchos. No Brasil”, segue, “em particular no pós-golpe, uma brutal perda de direitos de nossa classe trabalhadora e uma crise política, com ataques à democracia pelo governo protofascista de Bolsonaro”.

Ao destacar o enorme sofrimento com desemprego, perda de salários, e mortes pela covid-19, Neiva afirma que a pandemia mostra aquilo que “a Intersindical e as organizações genuínas da classe trabalhadora têm defendido: é necessário mais Estado. O SUS, as Universidades Públicas, a Petrobras e a segurança precisam de mais investimentos, pois são setores e serviços vitais e estratégicos para salvar vidas e promover o desenvolvimento econômico e social”. O problema, para a dirigente, é ter um governo que atua ao contrário. “Jair Bolsonaro brinca com a pandemia e lidera um ataque ao estado democrático de direito. Por isso, além da luta por Saúde, emprego, renda e democracia, este 1° de Maio será marcado por ser um grande Ato Nacional pelo 'Fora, Bolsonaro'”, reitera.

O presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do RS (CTB/RS), Guiomar Vidor, também destaca a prioridade do atual momento de defender a vida. Para ele, uma das principais bandeiras é a defesa do distanciamento social e de medidas que garantam a saúde dos trabalhadores e da sociedade. “Defendemos o fortalecimento do SUS com equipamentos, profissionais e infraestrutura. Por outro lado, fazemos a defesa do emprego e de condições mínimas de sobrevivência aos mais pobres”, afirma.

Ao defender um maior investimento do Estado em políticas públicas de fomento à atividade econômica, principalmente de apoio à pequena e média empresa e à agricultura familiar, Guiomar assegura a necessidade de “construir mais do que nunca uma ampla frente democrática para expurgar Bolsonaro e sua política do poder central da nação”.

Representando o Fórum pelos Direitos e Liberdades Democráticas, Érico Corrêa destaca a importância da realização do ato classista e unitário, reunindo diversas centrais, partidos de esquerda e movimentos sociais para marcar o 1º de Maio. “Neste momento de crise social, econômica e sanitária, é preciso lutar com todas as nossas forças para derrotar Bolsonaro e suas políticas reacionárias! ‘Parar pela vida’ e ‘Fora, Bolsonaro/Mourão’ são consignas necessárias neste momento”, afirma.

Ato nacional

Ao final do ato das centrais e movimentos do Rio Grande do Sul, inicia, uma live nacional, desde São Paulo, das 11h30 às 15h30, igualmente unificada e digital, com a presença de vários artistas e falas de dirigentes sindicais, religiosos, representantes dos movimentos sociais e políticos. O evento será transmitido pela TVT e por todas as centrais, sindicatos, confederações e federações, simultaneamente e ao vivo.

Os artistas que já confirmaram participação no 1º de Maio Solidário até o momento são: Chico César, Zélia Duncan, Otto, Preta Ferreira, Dexter, Delacruz, Odair José, Leci Brandão, Aíla, Preta Rara, Mistura Popular, Taciana Barros, Francis Hime e Olivia Hime, entre outros.

“Estamos construindo um 1º de Maio de solidariedade de classe, que não é apenas na distribuição de alimentos e coleta financeira para matar a fome de muitos, é também de fazer a defesa dos trabalhadores e das trabalhadoras, formais e informais, que não têm condições, muitas vezes, de ter um prato de comida para comer. E essa solidariedade não poderia sair de outro lugar, a não ser da própria classe trabalhadora de ajuda mutua”, destaca a secretária-geral da CUT Nacional, Carmen Foro.

Panelaço

Como parte da programação do Dia Internacional do Trabalhador e da Trabalhadora, será realizado um panelaço, às 20h, para aumentar o barulho nas janelas e nas calçadas pelo "Fora, Bolsonaro". As centrais chamam essa manifestação afirmando que o presidente é uma ameaça aos direitos da classe trabalhadora, ao Estado Democrático de Direito e à Constituição.

 

* Com informações da CUT-RS

Fonte: BdF Rio Grande do Sul

Edição: Katia Marko e Camila Maciel