Nenhum estado passou pelo pico da epidemia de covid-19 no Brasil, afirma pesquisadora

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Medidas de isolamento têm sido eficazes no achatamento da curva, afirma especialista - José Cruz/Agência Brasil
"A gente só vai saber se passou do topo quando começar a decrescer", explica Anaclaudia Fassa

O Brasil já tem 7.288 óbitos decorrentes da pandemia causada pelo novo coronavírus, 105.222 casos confirmados e uma letalidade de 6,9%, de acordo com os dados mais recentes do Ministério da Saúde, atualizados nesta segunda-feira (4).

O país já ultrapassou China, Rússia, Índia e Irã, mas ainda não chegou ao pico do número de casos e mortes. No estado de São Paulo, epicentro da pandemia no Brasil, esse pico deve se dar na segunda quinzena de maio, conforme mostram algumas pesquisas. 

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Como é possível, no entanto, calcular quando o país chegará a esse pico? Anaclaudia Fassa, docente do Departamento de Epidemiologia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e integrante do Conselho Deliberativo da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), explica que todas as projeções são construídas a partir de números e gráficos. 

Fassa afirma que a evolução da pandemia, quando representada por gráficos, apresenta o formato de sino. “Isso se chama curva normal” e significa que a doença se comporta da seguinte maneira: logo que a epidemia começa, há o registro de poucos casos, que, ao longo do tempo, vão aumentando até ocorrer uma grande concentração no meio do surto para depois diminuir no final.

Um exemplo de uma curva de sino aguda são os casos de Itália e Espanha, que tiveram 50% dos casos em um período de 15 dias, ou seja, “muitos casos em um mesmo momento". 

No Brasil, em todos os estados, a curva continua na subida da aceleração do número de casos, alguns deles ainda estão no início do surto, ou seja, nenhum estado já passou pela pico da epidemia. “A gente só vai saber se passou do topo na verdade quando começar a decrescer, porque é difícil prever exatamente quando vai ser o topo”, afirma Fassa.  

Isolamento social em gráficos

A professora explica que “quando a gente fala em achatar a curva, a gente quer que os casos que vão acontecer no centro da curva se espalhem ao longo do tempo. Então a gente quer dobrar ou talvez até mais esse período em que acontece essa concentração de casos”.

Ainda que São Paulo já apresente muitos casos, embora não tenha alcançado o pico da doença, o isolamento social tem se mostrado eficaz na tentativa de achatar a curva. Para a epidemiologista, isso significa que o distanciamento social precisa durar até que a curva comece a decrescer. 

“O isolamento social que fizemos está conseguindo achatar a curva, espalhar esses casos ao longo do tempo. Quando a gente espalha os casos ao longo do tempo, esse período do topo fica mais longo, ainda é influenciado pelo isolamento social”.

Edição: Leandro Melito