saúde no trabalho

Frigoríficos reabrem no Rio Grande do Sul após acordo no MP; sindicato critica medida

Foram reabertos os frigoríficos BRF e Minuano, em Lajeado, terceiro município com mais casos de covid-19 no estado

Brasil de Fato | Porto Alegre (RS) |
"Além de não dialogar com os representantes dos funcionários, as medidas previstas nos acordos não impedem a aglomeração na linha de produção dos frigoríficos, permanecendo o alto risco de contágio" - Divulgação

Os frigoríficos BRF e Minuano, ambos de Lajeado, retornarão às atividades, mas a saúde e a vida de seus trabalhadores permanecerão desprotegidas. É o que entende a Central Única dos Trabalhadores no Rio Grande do Sul (CUT/RS) após analisar os acordos firmados entre as duas unidades de processamento de carnes e o Ministério Público estadual (MP/RS).

Os dois abatedouros foram interditados após surtos de covid-19.  Situado no Vale do Taquari, Lajeado é o terceiro município com mais casos da doença no Rio Grande do Sul, com 243 confirmados e 15 óbitos.

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“Além de não dialogar com os representantes dos funcionários, as medidas previstas nos acordos não impedem a aglomeração na linha de produção dos frigoríficos, permanecendo o alto risco de contágio”, criticou o secretário de Políticas Sociais da CUT-RS, Reginaldo Rodrigues. Para ele, “o que pode evitar a disseminação do coronavírus é a implantação de três turnos de trabalho, cada um com seis horas de duração, como forma de reduzir o contato entre quem lá trabalha”.

“Medo e insegurança”

Também secretário-geral da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias da Alimentação/RS (FTIA-RS), Rodrigues avalia que, se não houver ampliação no revezamento dos empregados, “as medidas estabelecidas nos acordos perdem eficácia e não garantem proteção para salvar vidas, trazendo medo e insegurança”. Acrescentou, ainda, que é preciso “acabar com os abates extras”.

O dirigente reclama que o MP/RS recorreu à “chantagem” com as empresas. Teria condicionado os pactos à destinação de verbas para hospitais e municípios da região. “Trocaram a proteção à vida dos trabalhadores por melhorias na estrutura de atendimento à saúde da população”, protestou. No Estado, foram relatados 17 surtos em frigoríficos.

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Desinfecção e testagem

Para o MP/RS, os acordos asseguram a retomada do trabalho junto com a “absoluta segurança” dos funcionários e seus familiares. Por meio do acordo, os dois frigoríficos estão obrigadas a higienizar e desinfetar suas dependências. Ainda está prevista a realização da testagem para covid-19 de todos os trabalhadores no prazo máximo de 15 dias, com transparência total dos dados e encaminhamento dos resultados imediatamente à Vigilância Epidemiológica local. Somente poderão retornar às atividades os trabalhadores negativados.

Fonte: BdF Rio Grande do Sul

Edição: Katia Marko e Vivian Fernandes