Pandemia

Saga pelo auxílio emergencial continua na periferia das grandes cidades

Em Vila Formosa, bairro de Curitiba, trabalhadoras relatam tentativas frustradas e situação crítica para pagar contas

Brasil de Fato | Curitiba (PR) |
Sem fonte de renda e sem auxílio, famílias dependem de doações e outras ações de solidariedade - Giorgia Prates

Natascha Milena da Silva Cândido, ex-auxiliar de cozinha em um shopping center, demitida no dia 4 de abril deste ano, devido à pandemia da covid-19, não teve sequer direito ao seguro-desemprego.

Aos 22 anos, mãe solteira, ensino fundamental completo, Natascha é uma liderança de família com oito pessoas e frágeis fontes de renda.

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Moradora do chamado Bolsão Formosa, no bairro Novo Mundo, em Curitiba, ela não acessou ainda o auxílio emergencial de R$ 600 aprovado pela Câmara Federal.

De acordo com dados divulgados até o momento, em um processo de mais de 32 milhões de inscritos pelo Cadastro Único, apenas 10,5 milhões foram considerados elegíveis. Neste processo, quantas famílias como a de Natascha ficaram de fora?

A jovem reclama que solicitou por três vezes o auxílio emergencial. Sem êxito. A mãe recebe Bolsa Família, e ao lado da renda do avô, e do salário de Natascha antes do desemprego, isso significava a única renda da família.

“Estamos cheios de contas para pagar, trabalhando a gente faz conta, tivemos corte de luz recente. E a aposentadoria do meu avô tem desconto”, conta.

Para dificultar ainda mais a situação, a tia de Natascha, que vivia na mesma casa, responsável pelo cuidado das crianças e do avô, faleceu na semana passada. O peso da morte é, além de tudo, também um peso econômico para uma família.

“Com o falecimento da minha tia, não posso voltar a trabalhar no momento, tenho que cuidar da minha filha, meu irmão e meu avô.  Mesmo que eu quisesse, entreguei currículo, mas não estão contratando”, comenta a jovem.

Ela aponta também a dor de um processo no qual uma trabalhadora é submetida a longas esperas, longas filas e humilhações. “

Já fui ao banco duas vezes, tentei falar com o gerente, não me deixaram passar para dentro do banco. Não tem para onde correr, não tem para quem reclamar, já estou surtando, o pessoal está precisando do dinheiro”, diz.

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Regina Carvalho, moradora também do Bolsão Formosa, desempregada, auxiliar de produção, reclama da falta de acesso de seu pai ao programa. Ele trabalha vendendo panos de prato, mas agora está isolamento social em casa.

“A vida está apertada, porque minha mãe trabalha em casa, eu e minha irmã com renda, mas isso também não ajuda muita coisa”, lamenta.

No Bolsão Formosa, local visitado pela reportagem, há trabalhadores entrevistados que conseguiram acessar o programa. Mas dificilmente mais de uma pessoa na mesma família.

41,5 milhões de pessoas tiveram auxílio negado

O Ministério da Cidadania recebeu mais de 124 milhões de solicitações do auxílio emergencial e processou 98,6% delas. Em nota, o ministério aponta que 1,6 milhão de cadastros ainda em processamento foram feitos entre os dias 27 de maio e 11 de junho.

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Dos pedidos feitos, 64,1 milhões foram considerados elegíveis, e 41,5 milhões apontados como inelegíveis, por não atenderem aos critérios do programa. Via site e aplicativo, que é uma das grandes dificuldades para a população mais pobre, de 54 milhões de pedidos, apenas 34,4 milhões foram considerados aptos a receber. No que se refere ao Cadastro Único, 32,1 milhões de pedidos foram processados e 10,5 milhões considerados elegíveis.

O governo federal estima que, até o momento, 61 milhões de pessoas tiveram acesso ao auxílio emergencial, em uma liberação de recursos que alcançou valor estimado em R$ 203 bilhões.

Alegando dificuldade, o governo fala em pagar mais duas parcelas do auxílio, com valor mais baixo. O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou que, se a cifra aprovada pelo Congresso for de R$ 600, será vetada.

Fonte: BdF Paraná

Edição: Frédi Vasconcelos e Raquel Júnia