MEIO AMBIENTE

Adiada votação de PL que protege floresta onde prefeitura do RJ planeja autódromo

Projeto de lei tem dividido deputados por conta do avanço da discussão em torno da construção do Autódromo de Deodoro

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ) |
Floresta do Camboatá tem 2 milhões de metros quadrados e mais de 200 mil árvores, além de abrigar espécies ameaçadas de extinção - Foto: divulgação

Após sessão acalorada na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), o projeto de lei que amplia o Parque Estadual do Mendanha incluindo a Floresta do Camboatá, em Deodoro, na zona oeste do Rio, recebeu quatro emendas e segue em tramitação na próxima semana.  A Floresta do Camboatá é o local onde a prefeitura pretende construir um autódromo na capital.

O Projeto de Lei (PL) 4.438/2018, de autoria do deputado estadual Carlos Minc (PSB) e do ex-deputado André Lazaroni (MDB), prevê a ampliação do parque e tem o objetivo de proteger e conservar a qualidade ambiental da Floresta do Camboatá. O PL projeto segue em caráter de urgência e será pautado na próxima semana.

Pesquisadores do Jardim Botânico encontraram 18 tipos de árvores que não existem em outros locais, 67 pássaros, 46 mamíferos.

Ao Brasil de Fato, Minc explicou que o PL dividiu o plenário e que o presidente da Alerj, o deputado André Ceciliano (PT), chegou a sugerir a retirada o projeto de pauta para uma audiência pública. 

“Expliquei a ele que a audiência já foi feita há dois anos, com 400 pessoas, com representantes do estado, município, um general do Exército que cuida da área, Ministério Público, pesquisadores do Jardim Botânico, moradores contra e a favor. Se eu tirasse o projeto de votação ninguém ia entender nada", disse o parlamentar. 

O PL tem dividido a Casa principalmente por conta do avanço da discussão em torno da construção do Autódromo de Deodoro. Nas últimas semanas, uma disputa judicial entre ambientalistas e Prefeitura do Rio ganhou destaque nas redes. De um lado, o poder público alega que o empreendimento trará geração de empregos e movimentará a economia do Rio e, de outro, defensores do meio ambiente alertam para a degradação da floresta na área escolhida. 

Leia mais: Justiça suspende audiência pública sobre autódromo na Floresta do Camboatá (RJ)

O movimento SOS Floresta Camboatá defende que o autódromo seja construído em outra área. Segundo o movimento, o local que menos causaria danos ambientais seria o Campo de Gericinó, na zona oeste, uma vez que o local já é degradado. A ideia foi rejeitada pela Federação de Automobilismo do Rio.

Para Minc, o impacto gerado pelo empreendimento causaria danos ambientais e estruturais para a população local.

“É inexplicável como se escolhe uma área onde pesquisadores do Jardim Botânico encontraram 18 tipos de árvores que não existem em outros locais, 67 pássaros, 46 mamíferos, uma área que absorve um milhão de metros cúbicos de chuva e se isso for asfaltado pode gerar inundações nos bairros próximos", destacou o parlamentar. 

Fonte: BdF Rio de Janeiro

Edição: Mariana Pitasse