SAÚDE

No Brasil, 64% das pessoas que vivem com HIV já sofreram discriminação, diz pesquisa

Levantamento feito por ONG em sete capitas será divulgado no Dia Mundial de Luta contra o HIV e a Aids, terça-feira (1)

Brasil de Fato | Recife (PE) |
Das 1.784 pessoas entrevistadas, 15% afirmaram terem sido discriminadas por profissionais de saúde por viverem com HIV/Aids
Das 1.784 pessoas entrevistadas, 15% afirmaram terem sido discriminadas por profissionais de saúde por viverem com HIV/Aids - Adair Gomes/Imprensa MG

Nesta terça-feira (1) é lembrado o Dia Mundial de Luta contra a Aids. Mesmo depois de 40 anos do surgimento da doença, da descoberta do HIV e dos avanços no tratamento, pessoas que vivem com o vírus ainda sofrem com o estigma e o preconceito. A partir de terça-feira a Gestos – Soropositividade, Comunicação e Gênero, em parceria com o Programa das Nações Unidas para o HIV e a Aids (UNAIDS), a PUC do Rio Grande do Sul (PUC-RS), com apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), apresentará o detalhamento do Índice de Estigma em relação às Pessoas Vivendo com HIV e Aids, com uma série de seminários online focados em 7 capitais, a começar por Recife (PE). A apresentação será das 14h às 17h, através de teleconferência na Plataforma Zoom

O índice é uma ampla pesquisa realizada durante o ano de 2019 com 1.784 pessoas vivendo com HIV e Aids no Brasil, que identificou como o preconceito e o estigma ainda afetam a vida das pessoas que vivem com o vírus HIV.

Leia mais: Tratamento de saúde para pessoas com HIV está comprometido por conta da pandemia

Além do Recife, no dia 1º de dezembro, durante o restante da semana de luta contra o HIV e a Aids, acontecerão seminários direcionados para as cidades do Rio de Janeiro, de Brasília, de Salvador e de Porto Alegre. A pesquisa foi realizada, ainda, em Manaus e São Paulo.

Os seminários são direcionados para movimentos sociais e pessoas que atuam em defesa dos direitos das pessoas vivendo com HIV e Aids; para profissionais de saúde; para parlamentares e profissionais que trabalham nos Poderes Legislativo e Judiciário. Quem quiser participar deve se inscrever através de um formulário online. São 50 vagas por seminário.

“A ideia é que, ao apresentar os dados específicos de cada localidade, seja possível mobilizar pessoas dos poderes executivos dos estados e municípios e também representantes dos poderes Legislativo e Judiciário em torno das questões de estigma e discriminação às pessoas vivendo com HIV e Aids. Também queremos sensibilizar profissionais de saúde a adotar medidas contra o estigma e a discriminação nos serviços de saúde e divulgar a pesquisa de maneira ativa entre os/as usuários/as dos serviços de saúde que atendem pessoas vivendo com HIV e Aids, a sociedade civil e formadores/as de opinião”, explica Jair Brandão, assessor de Projetos da Gestos – Soropositividade, Comunicação e Gênero.

A pesquisa identificou como o preconceito e o estigma ainda afetam a vida das pessoas que vivem o vírus HIV.  O levantamento mostrou que 64,1% dos entrevistados já́ sofreram alguma forma de estigma ou discriminação pelo fato de viverem com HIV ou com AIDS. Comentários discriminatórios ou especulativos já afetaram 46,3% delas, enquanto 41% do grupo dizem ter sido alvo de comentários feitos por pessoas da própria família. As situações de discriminação incluem assédio verbal (25,3%), perda de fonte de renda ou emprego (19,6%) e também agressões físicas (6,0%).

Leia também: Movimento de Luta Contra a Aids lança nota de repúdio às declarações do presidente

Entre os resultados do levantamento, um dado que chama atenção é a discriminação sofrida pelas pessoas vivendo com HIV/Aids no sistema de saúde. Das pessoas entrevistadas, 15,3% afirmaram ter sofrido algum tipo de discriminação por parte de profissionais da saúde pelo fato de viverem com HIV ou com AIDS, incluindo atitudes como o esquivamento do contato físico (6,8%) e a quebra de sigilo sem consentimento (5,8%).

As entrevistas foram feitas por pessoas vivendo com HIV/Aids, capacitadas pela Gestos. A realização desse estudo inédito no país foi possível graças a uma parceria com a Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV e AIDS (RNP+); o Movimento Nacional das Cidadãs Positivas (MNCP); a Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV e AIDS (RNAJVHA); e a Rede Nacional de Mulheres Travestis e Transexuais e Homens Trans vivendo e convivendo com HIV/AIDS (RNTTHP).

Fonte: BdF Pernambuco

Edição: Vanessa Gonzaga e Rogério Jordão