STF

Vacinação contra covid-19 deve ser obrigatória, mas não à força, diz Lewandowski

Ministro vota pela vacinação obrigatória, mas com consentimento do paciente e retirada de direitos em caso de recusa

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Ministro Ricardo Lewandowski determinou, na ultima segunda (14), que governo apresentasse em 48h datas das etapas do plano de vacinação
Ministro Ricardo Lewandowski determinou, na ultima segunda (14), que governo apresentasse em 48h datas das etapas do plano de vacinação | Crédito: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski votou nessa quarta-feira (16) pela obrigatoriedade da vacinação contra a covid-19 para toda a população. No entanto, ele frisou que imunização obrigatória não significa o uso de força contra a pessoa que não quer ser vacinada. E sim que sejam impostas restrições de direitos, como o de participar de concursos públicos, receber benefícios etc.

O ministro destacou que a o interesse coletivo não pode ser prejudicado pelos individuais. “A saúde coletiva não pode ser prejudicada por pessoas que se recusam a ser vacinadas, acreditando que, ainda assim, serão beneficiárias da imunidade de rebanho”.

O voto se refere às ações sobre obrigatoriedade da vacinação relatadas por Lewandowski que terão sequência do julgamento nesta quinta-feira (17). O ministro é relator da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 6.568, movida pelo PDT. O partido pede que seja assegurada a competência dos estados e municípios na decisão sobre a imunização compulsória da população. E também de ADI 6.587, protocolada pelo PTB, exatamente no sentido contrário. A legenda quer que o STF declare a inconstitucionalidade de dispositivo da Lei 13.979/2020, que confere ao à União, estados, Distrito Federal e municípios a competência para determinar a realização compulsória de vacinação e adotar outras medidas profiláticas no combate à pandemia.

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Contra a vacina

A determinação de que a vacinação seja obrigatória confronta discursos e atos do governo de Jair Bolsonaro. Reiteradamente o presidente defende que a população não seja forçada a ser vacinada. Sobre esse tema, o Ministério da Saúde é evasivo quanto a um plano de vacinação e pouco transparente em relação a negociações com laboratórios que estão com os imunizantes em fase de registro.

Ontem, Lewandowski determinou a ampla divulgação do cronograma provável da vacinação contra a covid-19 pelo Ministério da Saúde em julgamento de Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 756.

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O PT, PSOL, PCdoB, PSB e Cidadania, que entraram com a ação, querem que o presidente Jair Bolsonaro seja obrigado a adotar todos os procedimentos administrativos indispensáveis para que a União possa, com a segurança científica, técnica e administrativa, providenciar a aquisição das vacinas e medicamentos que forem aprovados pela Anvisa, sem quaisquer “valorações estranhas e contrárias aos parâmetros e princípios constitucionais”. Em documento enviado pelo Ministério da Saúde, a imunização da totalidade da população deverá ocorrer em 16 meses, se houver disponibilidade de vacinas.

Conteúdo originalmente publicado em: Rede Brasil Atual

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