LUTO

Morre Michel Le Ven, professor e militante histórico contra a ditadura militar

Le Ven foi um dos religiosos perseguidos pela ditadura militar

Belo Horizonte | Brasil de Fato MG |
Michel Le Ven
Michel Le Ven foi um dos religiosos perseguidos pela ditadura militar brasileira - Reprodução

Faleceu nesta sexta-feira (22), o professor e ex-padre Michel Le Ven, militante lembrado por sua atuação desde a luta contra a ditadura militar no Brasil. Michel tinha 89 anos, era militante do PT e até hoje atuante em movimentos comunitários por direitos humanos e pela democracia.

Professor do Departamento de Ciência Política (DCP) da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Minas Gerais (Fafich-UFMG) , morreu na manhã desta sexta-feira, dia 22, em Ribeirão das Neves, em decorrência de insuficiência cardíaca e respiratória. Ele sofria do mal de Alzheimer.

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Michel Le Ven foi um dos religiosos perseguidos pela ditadura militar brasileira. Nascido em Plouguernout, no Norte da França, Le Ven chegou a Belo Horizonte em 1965 para atuar na Igreja do Horto, na Zona Leste da capital, como padre jesuíta.

Le Ven fazia parte de um grupo de padres, freiras e religiosos que contestaram as prisões arbitrárias realizadas pelo regime militar.

Sem tolerar questionamentos, o governo militar realizou a detenção de quatro padres, sendo três franceses e um brasileiro, que ficaram detidos durante 72 dias acusados de subversão. Eram eles Le Ven, Hervé Croguenec, Francisco Xavier Berthou e José Geraldo da Cruz.

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Fiéis e seminaristas da igreja se levantaram contra a prisão. “Na igreja do Horto não há missa, nem casamento, nem batizado. O padre Michel foi preso, os seminaristas não querem que ele seja substituído e exigem das autoridades militares a sua libertação”, dizia um jornal à época.

Michel deixou um acervo de 232 páginas sobre toda a perseguição que ele e outros religiosos foram vítimas pela ditadura militar, e foi parte essencial nas pesquisas realizadas pela Comissão da Verdade de Minas Gerais, que recolheu histórias da ditadura a fim de manter a memória sobre o período.

O enterro será neste sábado (23) no cemitério da Paz, às 10h30, restrito à família devido à medidas de contenção do novo coronavírus. O velório acontece de 7h30 a 9h30 na funerária Metropax na av. contorno 3.000, também  restrito à família, com cumprimentos apenas do lado de fora.

 

Fonte: BdF Minas Gerais

Edição: Leandro Melito e Elis Almeida