Ditador peruano

Alberto Fujimori será julgado por esterilização forçada de 350 mil mulheres no Peru

Prática era uma das medidas do Programa Nacional de Planejamento Familiar de seu governo (1990-2000)

Brasil de Fato | São Paulo (SP) |

Ouça o áudio:

Alberto Fujimori cumpre sentença de 25 anos de reclusão por crimes cometidos contra a humanidade e corrupção
Alberto Fujimori cumpre sentença de 25 anos de reclusão por crimes cometidos contra a humanidade e corrupção - Foto: Ernesto Benavides/AFP

O ex-presidente do Peru Alberto Fujimori, que governou o país de 1990 a 2000 em regime ditatorial, será julgado pela Justiça peruana pelo plano de esterilização forçada de 350 mil mulheres e 25 mil homens camponeses e indígenas, prática prevista pelo Programa Nacional de Planejamento Familiar.

O julgamento irá ocorrer em 1º de março. Além do ex-presidente, também serão julgados três ex-ministros da Saúde: Eduardo Yong Motta, Marino Costa Bauer e Alejandro Aguinaga. 

:: Depois de derrubar um presidente, peruanos mantêm protestos por uma nova Constituição ::

Relato histórico

Um dos casos conhecidos de esterilização foi de Josefina Quispe, de 33 anos. Em entrevista à BBC News, ela afirmou que foi submetida sem consentimento ao programa de planejamento familiar. "Eu estava grávida de 32 semanas e não me sentia muito bem, então fui consultar meu médico. Eles me avaliaram e decidiram realizar uma cesariana de emergência". O bebê nasceu com dificuldades respiratórias e morreu pouco depois. 

"Havia um médico tentando me consolar, dizendo: 'Não se preocupe, você ainda é jovem, você pode ter outro bebê'. Mas outro médico respondeu: ‘Ela não pode ter mais filhos. Nós a esterilizamos’”, relatou.

:: No Peru, fujimorismo perde espaço e composição do Congresso será fragmentada ::

Pena atual de Fujimori

Durante as audiências da investigação, Fujimori não compareceu, alegando problemas de saúde. Atualmente, ele cumpre uma pena de prisão de 25 anos por corrupção e pelos massacres de Barrios Altos (1991) e La Cantuta (1992), nos quais os militares mataram cerca de 20 pessoas.

 

Edição: Camila Maciel