Luta indígena

Artigo | Sepé Tiaraju, símbolo de luta pela mãe terra

"Celebrar história de resistência do povo Guarani nos anima a pensar um outro mundo possível", defende membro da Cimi

Brasil de Fato | Porto Alegre (RS) |
Há 265 anos, Sepé tombava, golpeado pelos exércitos de Portugal e Espanha - Reprodução

A terra para os povos indígenas é vida, memória e esperança. Ela é a mãe de todos os seres, que deve ser amada, protegida e purificada.

Em tempos em que a vida é negligenciada e a morte prematura, torna-se a única certeza celebrar a história de luta e resistência do Povo Guarani, de seus líderes – entre eles, Sepé Tiaraju. Eles nos animam a pensar um outro mundo possível, uma terra sem mal, com o bem viver – a Yvyrupa.

Mas há caminhos que precisam ser reabertos diante do caos social, político, sanitário, ambiental e econômico.

O Brasil vem sendo administrado por homens cruéis e imbecilizados. Temos um presidente da República que propaga o ódio e a violência como alternativas nas relações sociais, culturais e religiosas.

Os povos indígenas e os demais povos e comunidades originárias e tradicionais foram classificados pelo atual governo como seres sem humanidade e, portanto, no entender dele, sem direitos. Nega-se tudo, a proteção social, as políticas assistenciais, a terra para habitar, o meio ambiente e, com isso, excluem deles a possibilidade de futuro.

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Políticas e teses genocidas

O governo resgatou políticas e teses genocidas aplicadas durante todo o processo de colonização, mas planejadas como fator de extermínio, no período da ditadura militar. Nas décadas de 1960 até 1988 a prioridade estatal era a integração forçada dos indígenas a “comunhão nacional”. O período nefasto produziu violência, mortes e extermínios de povos inteiros.

Hoje a realidade dos povos se assemelha àquela de Sepé Tiaraju. Há um governo que transformou as políticas de estado em ferramentas de destruição da terra, das matas, das águas, da saúde, da educação, da segurança.

Os povos enfrentam, como enfrentaram naquela época, o avanço descomunal de projetos e programas que visam essencialmente a exploração indiscriminada para a lucratividade imediata.

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Os povos estão no meio do caminho, como cunhas enfiadas nos interesses predatórios. Por isso, as estruturas políticas, administrativas e até jurídicas do estado se tornam armas para o genocídio.

Antipolítica indigenista

Impõe-se agora o que se pode denominar de antipolítica indigenista estruturada no tripé da desconstitucionalização, da desterritorialização e da integração forçada.

Resistir agora, a este governo, é nos tornarmos fachos de luzes reluzentes e de esperança para o futuro. Se não lutarmos como Sepé Tiaraju e seus guerreiros fizeram, em 1756, vamos ficar, todos os pobres da terra, sob os escombros de um país devastado.

Que o 7 de fevereiro, dia de Sepé Tiaraju, nos inspire a seguir construindo caminhos e combatendo a insanidade e a brutalidade de um governo que não nega suas especialidades, destruição e o genocídio.

 

*Roberto Antonio Liebgott integra a Coordenação Regional Sul do Conselho Indigenista Missionário (Cimi).

**Este é um artigo de opinião. A visão do autor não necessariamente expressa a linha editorial do jornal Brasil de Fato.

Fonte: BdF Rio Grande do Sul

Edição: Camila Maciel e Marcos Corbari