América Latina

Argentina se retira do Grupo de Lima por discordar de ações contra Venezuela

Chancelaria do país afirmou que o bloco promoveu atitudes que visaram "isolar o governo da Venezuela"

|

Ouça o áudio:

Alberto Fernández já havia declarado que bloco 'foi criado por motivos ideológicos e é obcecado pela Venezuela - Casa Rosada

O governo da Argentina anunciou, nessa quarta-feira (24), que deixou o Grupo de Lima por discordar de ações promovidas pela organização contra a Venezuela. “A República Argentina formalizou sua saída do denominado Grupo Lima, considerando que as ações que o grupo vem promovendo em âmbito internacional, visando isolar o governo da Venezuela e seus representantes, não deram em nada", disse a chancelaria em nota.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores argentino, entre os membros, há "participação de um setor da oposição venezuelana" como mais um membro que "tem levado à adoção de posições que nosso governo não pôde e não pode apoiar”.

Formado em 2017 por iniciativa do governo peruano sob a justificativa de "denunciar a ruptura da ordem democrática na Venezuela", o Grupo de Lima é formado por 13 países, incluindo Brasil, Colômbia, México, Canadá e Peru. Apesar de não integrarem oficialmente o bloco, os EUA já chegaram a participar de reuniões como ouvintes por videoconferência.

:: Leia mais: Conselho de Direitos Humanos da ONU aprova resolução contra sanções unilaterais ::

"Mais uma vez, reiteramos que a melhor forma de ajudar os venezuelanos é facilitando um diálogo inclusivo que não favoreça nenhum setor em particular, mas sim conseguir eleições aceitas pela maioria com controle internacional", disse o Ministério das Relações Exteriores do país.

O governo argentino reiterou que é necessário um diálogo amplo, com a participação dos "principais atores sociais do país", como a "Igreja, o setor empresarial e as organizações não governamentais, sem exclusões".

A chancelaria ainda apontou os problemas que as sanções e os bloqueios impostos contra o governo venezuelano, "bem como as tentativas de desestabilização", junto ao contexto da pandemia da covid-19, "agravaram a situação da população".

"As sanções afetaram o gozo dos direitos humanos pela população venezuelana, conforme afirma o relatório sobre as repercussões negativas das medidas coercitivas unilaterais no gozo dos direitos humanos", afirma a declaração.

:: Leia também: Ministro venezuelano denuncia terrorismo em explosão de gasoduto da PDVSA ::

O relatório mencionado na nota foi aprovado na terça-feira (23) no Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) por 30 votos a favor e 15 contra. O Brasil foi o único país da América Latina a votar contra a resolução, acompanhando os Estados Unidos. A Argentina votou a favor.

No comunicado, a Argentina declara que continua mantendo o "compromisso com a estabilidade da região e buscará direcionar soluções pacíficas e democráticas que respeitem a soberania e os assuntos internos de cada Estado".

A adesão da Argentina ao bloco ocorreu ainda na presidência de Mauricio Macri. Alberto Fernández, que agora comanda o país, já havia declarado que a organização "foi criada por motivos ideológicos e é obcecada pela Venezuela". O grupo foi um dos primeiros a reconhecer o ex-deputado Juan Guaidó, que se autoproclamou presidente venezuelano no início de 2018.

:: Saiba também: Mulheres indígenas trilham 1200 km da Patagônia a Buenos Aires denunciando terricídio ::

Fernández destacou na ocasião que, desde a chegada ao poder de seu governo, a Argentina "nunca participou de reuniões ou assinou documentos" e que "a única coisa que fez" em relação ao grupo foi se "distanciar".

*Com informações da Télam e Revista Fórum.