Surto psicológico

PM dispara contra equipe do Bope e é morto em Salvador; radicais espalham fake news

Caso aconteceu no último domingo (28); após negociação com o Bope, policial foi alvejado e não resistiu

Brasil de Fato | Belém (PA) |
Depois de atirar contra companheiros da corporação, policial foi alvejado e levado para o Hospital Geral do Estado (HGE), no entanto, não resistiu. - Reprodução

O policial militar Weslei Soares foi morto neste domingo (28), em Salvador, após, segundo nota da Secretária de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), "disparar com fuzil contra guarnições do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope)". A nota disse ainda que "houve negociação por 3h30 e que o soldado aparentava estar em 'surto psicótico'. " 

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O caso ocorreu no Farol da Barra, ponto turístico de Salvador, e uma área residencial. O homem chegou ao local por volta de 14h, em um carro particular, e rompeu a barreira que isolava a região.

A repercussão da morte divide opiniões na internet após disseminação de fake news acerca do assunto. Uma série de publicações defendem que a atitude do policial foi um "ato heróico" contra as medidas de restrição impostas para conter o avanço da pandemia da covid-19, em Salvador, capital da Bahia.

A polícia contradiz as publicações. "O militar chegou armado com fuzil e pistola, na Barra. Imediatamente ele iniciou disparos de fuzil para o alto. Ele foi cercado por unidades do CPR Atlântico e especializadas, que isolaram o local", diz a nota da corporação.

Começo da negociação 

Por volta das 15h, uma equipe do Bope iniciou a negociação com o soldado. Segundo a nota da SSP-BA, o homem "alternava momentos de lucidez com acessos de raiva, acompanhados de disparos. Além dos tiros de fuzil, o soldado arremessou grades, isopores e bicicletas de trabalhadores no mar". Vídeos que circulam na internet comprovam a informação.

Para dar apoio aos policiais, três viaturas foram deslocadas para isolar o local. Às 18h35, o soldado disse que havia chegado o momento, iniciou uma contagem regressiva e iniciou disparos contra as equipes do Bope.

Depois de, pelo menos, 10 tiros, o militar foi baleado. Weslei Soares chegou a ser socorrido por uma ambulância e levado para o Hospital Geral do Estado, mas não resistiu aos ferimentos e morreu na noite do último domingo (28).

Bia Kicis

A deputada federal Bia Kicis, presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, foi uma das que disseminou informações falsas sobre o tema e incitou policiais contra o governador da Bahia, Rui Costa (PT). Bia usou uma frase dita por Wesley fora de contexto para dizer o agente lutava contra o lockdown estabelecido pelo governo baiano. Nesta segunda-feira (29), após a repercussão do caso, a deputada bolsonarista apagou o post das redes sociais e fez uma retratação.

Protesto de PM's e fake news

A morte de Wesley Soares causou a reação de lideranças de entidades que representam os policiais militares em Salvador. Depois que a morte do soldado foi confirmada, um grupo de PMs, ligados à Associação de Policiais e Bombeiros e de seus Familiares do Estado da Bahia (Aspra-BA), se concentrou em frente ao Hospital Geral do Estado (HGE).

Eles convocaram uma assembleia para esta segunda-feira (29), no Farol da Barra, onde o militar foi baleado e morto. Além disso, após a morte começou a circular na internet que a morte do militar foi devido a um "ato heróico".

"Os nossos objetivos primordiais são preservar vidas e aplicar a lei. Buscamos, utilizando técnicas internacionais de negociação, impedir um confronto, mas o militar atacou as nossas equipes. Além de colocar em risco os militares, estávamos em uma área residencial, expondo também os moradores", disse, em nota oficial, o comandante do Bope, major Clédson Conceição.

A situação da Covid-19, na Bahia

Segundo informações do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), a Bahia ocupa a sexta posição entre as federações brasileiras com maior número de pessoas que estão ou já foram infectadas pelo vírus com 794.437 casos e também com o maior número de mortes. Até este domingo foram 14.960 óbitos.

Com isso, o governo da Bahia manterá até o dia 5 de abril, toque de recolher em todo. As medidas proíbem a circulação de pessoas entre 18h e 5h, exceto para servidores, funcionários e colaboradores de serviços essenciais.

Edição: Rebeca Cavalcante