FOMENTO

Novo projeto de apoio emergencial à agricultura familiar pode ser votado nesta quarta

PL 823 resgata trechos vetados por Bolsonaro na Lei Assis de Carvalho, que deixou camponeses fora das ações emergenciais

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Além de estender a concessão do auxílio emergencial, o PL 735/2020 também cria o Fomento Emergencial de Inclusão Produtiva Rural | Crédito: Foto: Pedro Moraes

A Câmara dos Deputados pode votar, nesta quarta-feira (31), o Projeto de Lei 823/2021, que propõe medidas emergenciais de amparo à agricultura camponesa familiar na produção de alimentos como fomento, crédito e renegociação de dívida e acesso ao auxílio emergencial. Assinado pela bancada do PT, o projeto substitui o PL 735/2020, que ficou conhecido como Lei Assis de Carvalho, em homenagem ao deputado piauiense que faleceu ano passado.

Aprovado pelo Congresso em agosto de 2020, o PL 735/2020 foi convertido na Lei Assis de Carvalho (Lei 14.048/20) e foi sancionado com vetos de quase todos os pontos por Bolsonaro. Isso acabou deixando os camponeses e camponesas fora do contexto das ações emergenciais do governo para conter a pandemia.

O Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) defende o novo projeto, destacando sua necessidade frente a uma grande probabilidade de estagflação no país, que é gerada pelo aumento da taxa de desemprego combinado com a inflação no preço dos produtos. O movimento ressalta que, mesmo com safra recorde do agronegócio, a produção de alimentos que estão no cardápio das famílias brasileiras foi  muito baixa, revelando a quem o governo privilegia.

"Tomara que se tenha uma vitória dos nossos camponeses e camponesas no parlamento brasileiro e depois no senado e depois fazer toda a luta para que o presidente sancione e garanta os recursos pra implementar esta política pra fortalecer a produção de alimentos do povo brasileiro", disse o deputado Pedro Uczai, que é do núcleo agrário do PT.

Como destaca o MPA, a agricultura familiar e camponesa é estratégica para derrotar a fome no Brasil. O movimento alerta que, desde o golpe que resultou no impeachment da presidenta Dilma, as políticas públicas voltadas ao campesinato brasileiro têm caído vertiginosamente e a fome avança cada vez mais.

Entre as diversas propostas do PL 823, está um fomento emergencial para trabalhadores do segmento que estejam em situação de pobreza e extrema pobreza. Este seria no valor de R$ 2,5 mil para cada unidade de produção, sendo de R$ 3 mil quando se tratar de mulher camponesa. A proposta prevê uma contrapartida: a ideia seria o agricultor se comprometer a implementar um projeto de estruturação de unidade produtiva familiar.

:: Conheça mais propostas do PL 823 ::

Com custo total estimado em R$ 550 milhões, o PL 823 prevê ainda a concessão do benefício Garantia-Safra aos camponeses, desde que se comprove, por meio de um laudo técnico de vistoria, que houve perda de safra durante a pandemia.


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Editado por: Marcelo Ferreira

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