Edição 206

Editorial | Nem república nem feudo, Curitiba é do povo!

A força da solidariedade popular venceu uma batalha. E é possível derrotar o prefeito com nojo de pobre

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Em maior de 2018, Rafael Greca almoçou no Restaurante Popular da Rua da Cidadania Matriz, na Praça Rui Barbosa
Em maior de 2018, Rafael Greca almoçou no Restaurante Popular da Rua da Cidadania Matriz, na Praça Rui Barbosa | Crédito: Pedro Ribas/SMCS

Curitiba já foi conhecida como o centro de uma república judiciária que definiu o criminoso afastamento de Lula, como candidato à presidência, em 2018. Agora, porém, ganha nova fama nacional: por se tornar o feudo do prefeito Rafael Greca, que propôs um projeto de lei municipal intitulado “Programa Mesa Solidária em Curitiba”.

Sob a aparência da defesa da segurança alimentar e nutricional o projeto, no fundo, significa burocratizar, centralizar e criminalizar a solidariedade social contra a fome, ainda mais em tempos de pandemia.

Burocratiza porque impõe cadastros, exigências e horários aos doadores da alimentação (art. 8 a 11). Centraliza porque sugere que sem a prefeitura não pode haver doação (art. 4 a 7). Criminaliza porque previa infrações genéricas e sanções descabidas (art. 12 a 17).

Diante do protesto contra a criminalização da entrega de alimentos, Greca recuou sobre a previsão de multas. Essas punições contra as organizações que atendem o povo em situação de rua são vistas também em São Paulo.

A pressão da sociedade e das organizações populares foi tão grande que o episódio ganhou visibilidade e a Câmara não votou o projeto e aprovou realização de audiência pública para o dia 22 de abril. A força da solidariedade popular venceu uma batalha. E é possível derrotar o prefeito com nojo de pobre que quer fazer de Curitiba o seu feudo elitizado.

Editado por: Pedro Carrano

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