TRUCULÊNCIA

29M: No Recife, ato contra Bolsonaro sofre forte repressão policial

Em Pernambuco, Recife e Petrolina tiveram atos de rua na manhã deste sábado; no interior, manifestação não teve conflito

Brasil de Fato | Petrolina (PE) |
Ato no Recife foi reprimido pela Polícia Militar de Pernambuco - AgênciaJCMazella

Em todo o país, manifestações contra o presidente Jair Bolsonaro acontecem durante este sábado (29), com a convocação do ato puxada pela Campanha Fora Bolsonaro e movimentos populares ligados à Frente Brasil Popular e Frente Povo Sem Medo. Em Pernambuco, a capital Recife e Petrolina, no sertão do estado, registraram atos de rua. No município de Garanhuns, no Agreste, um ato virtual acontece durante a noite. 

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No Recife, ainda na noite de sexta, a  Promotora de Justiça de Defesa da Cidadania da Capital do  Ministério Público de Pernambuco recomendou em nota aos integrantes das  Frentes Povo sem Medo e Brasil Popular, a Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares, o Partido dos Trabalhadores (PT), o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a União Nacional dos Estudantes (UNE), que o ato fosse cancelado, justificando a recomendação com base nos  Decretos Executivos do Governo do Estado de Pernambuco nº 50.561, de abril de 2021 e do Decreto nº 50.752, de 24 de maio de 2021. 

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Na tentativa de cumprir a recomendação e desmarcar o ato, algumas organizações, entre elas o Partido dos Trabalhadores e o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), emitiram nota pública recomendando à militância que não fosse até a Praça do Derby, onde a concentração estava registrada. 

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Mesmo com recomendação do MP para cancelamento, manifestantes foram ao ato no Recife / PH Reinaux

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Ainda assim, milhares de pessoas compareceram ao chamamento e o ato aconteceu. No fim da manhã, quando os manifestantes seguiam entre a Rua da Aurora e Avenida Conde da Boa Vista, o Batalhão de Choque da Polícia Militar de Pernambuco reprimiu com bombas, spray de pimenta e balas de borracha os manifestantes. Ainda não se sabe o número de feridos, mas três pessoas estão detidas na Central de Plantões da Capital (CEPLANC), no Recife. 

Uma das pessoas agredidas pela Polícia Militar é a vereadora Liana Cirne (PT), que foi agredida fisicamente e teve spray de pimenta disparado diretamente na face, como mostram as imagens que estão circulando nas redes sociais. 

A truculência da polícia contra o ato rendeu declarações nas redes sociais de parlamentares como a da também vereadora Dani Portela (PSOL): "O ato foi recebido pelo choque. Nós estamos aqui para pedir comida e vacina. Isso é um absurdo. A polícia jogando bombas em cima dos manifestantes, é isso que está acontecendo. Nós queremos uma resposta do Governo do Estado”, cobra. 


Foram utilizadas balas de borracha durante a repressão do ato no Recife/ Agência JCMazella

O Deputado Federal Carlos Veras, do Partido dos Trabalhadores, manifestou-se em solidariedade a sua companheira de partido “Toda nossa solidariedade à vereadora Liana Cirne e indignação à PM de Pernambuco. Nada, absolutamente nada, justifica essa violência de agentes públicos, que deveriam proteger a população. Repudiamos todos os atos de agressão contra pessoas que estão na rua lutando por vacina no braço e comida no prato”, afirmou em sua conta no Instagram.

Petrolina 

Em Petrolina, a concentração do ato começou por volta das 9h na Praça Maria Auxiliadora, no centro da cidade. Mandatos de parlamentares, movimentos populares, partidos políticos e entidades sindicais organizaram a manifestação, que seguiu pelas principais ruas do centro da cidade, cumprindo regra de distanciamento social e do uso de máscaras. 

Robson Nascimento, da Central Única dos Trabalhadores (CUT) Pernambuco, explica que o retorno da esquerda às ruas neste momento tem o papel de desgastar ainda mais o governo Bolsonaro e denunciar sua falha no combate à pandemia.  “Voltar às ruas hoje não significa colocar vidas em risco, mas preservar vidas. Passamos mais de um ano reivindicando as políticas de isolamento e a vacinação da população, mas o governo vem negligenciando a vida e trouxe o caos para o Brasil. Não podemos nos calar nesse momento. É preciso dar um basta neste genocídio”, afirma. 


Ato manteve medidas de prevenção à covid-19 em Petrolina / André Amorim

Socorro Lacerda, dirigente do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) em Petrolina, reafirma a necessidade da esquerda retomar seu espaço nas lutas de rua “É importante que ocupemos as ruas de forma responsável hoje, de maneira contrária ao que Bolsonaro faz, ameaçando a vida do povo brasileiro com seu projeto genocida. É importante ocuparmos esse espaço de luta porque o Brasil está agonizando pela irresponsabilidade de Bolsonaro”.

Na cidade sertaneja, já foram confirmados mais 27 mil casos de covid-19 e 395 mortes. Para o vereador Gilmar Santos (PT), a falta de medidas eficazes para conter o vírus na cidade é uma consequência da aproximação ideológica entre Bolsonaro e o prefeito Miguel Coelho (MDB) “Ele é cúmplice deste projeto de morte. O prefeito, filho do senador Fernando Bezerra Coelho, que é líder do governo Bolsonaro no Senado, se compromete com esse projeto quando não faz um enfrentamento a todas essas ações do governo Bolsonaro que são contrárias a vida da população”, explica. 


Encerramento do ato aconteceu por volta do meio dia na Concha Acústica da cidade / Vanessa Gonzaga

Respeitando as medidas de isolamento, com distribuição de máscaras e álcool, o ato seguiu pelas principais ruas do centro da cidade, recebendo o apoio de motoristas e pessoas que transitavam pelo local e encerrou no Concha Acústica Municipal. 

Fonte: BdF Pernambuco

Edição: Rani de Mendonça