Extrema direita

Jornal Brasil Atual Edição da Tarde | 8 de junho de 2021

Presidente da Fundação Palmares anuncia que doará arquivos sobre Marighella do acervo cultural da instituição

Ouça o áudio:

Carlos Marighella é referência para movimentos populares brasileiros. Na imagem: movimentos ocupam a Secretaria das Cidades no Ceará - Foto: Claudiane Lopes /Jornal A Verdade

O presidente da Fundação Cultural Palmares, órgão responsável pela formulação de ações e políticas públicas em defesa e valorização da cultura afro-brasileira, Sérgio Camargo, anunciou que irá excluir do acervo cultural da instituição, arquivos, documentos e livros sobre Carlos Mariguella, Franklin de Oliveira, Marx e demais autores que, segundo ele, “contrariam a missão institucional definida por lei”.

Camargo, indicado em 2019 pelo então secretário especial da Cultura Roberto Alvim, tem usado suas redes sociais para anunciar algumas ações na Fundação Palmares. 

Assíduo nas redes sociais, o presidente da fundação vem fazendo inúmeras postagens a respeito dos livros que pretende doar. Em uma destas publicações, chegou a dizer: “Faltam cinco dias para o exorcismo do Marxismo na Fundação Palmares! Serão excluídas do acervo obras de e sobre o terrorista/psicopata Marighella, o racista/homofóbico Che Guevara e o genocida Josef Stalin. Eles nada têm a ver com a Cultura de temática negra”.

Para Márcia Bassetto Paes, historiadora, jornalista e doutoranda em História Social na Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas da USP, a exclusão de qualquer arquivo é a eliminação da história do país. Segundo Márcia, a gestão de Camargo "tem destruído todas as conquistas do movimento negro".

Camila Djurovic, pesquisadora e mestre em História pela USP, avalia que esse ato "é autoritário e antidemocrático". Adriano Diogo, torturado durante a ditadura militar e ex-presidente da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo. 

O professor de História e integrante da Uneafro Brasil e Coalizão Negra por Direitos, Douglas Belchior, afirma que excluir todas as obras do acervo da Fundação "é uma forma de concretizar o que Carlos Mariguella afirmava sobre à luta contra a repressão do Estado". Para Douglas Belchior, o presidente da Fundação Cultural Palmares é capacho de Bolsonaro. 

*Com informações de Larissa Bohrer.

Confira todas as reportagens no jornal completo no áudio acima.

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Edição: Mauro Ramos