BALANÇO

Sem fazer parte do G7, China foi grande assunto da 47ª Cúpula do grupo, na Inglaterra

Encontro terminou com anúncios relacionados à pandemia, mudanças climáticas e investimento em novas rotas comerciais

Brasil de Fato | Caracas (Venezuela) |
Reunião do G7 terminou com acordos sobre o combate à pandemia, às mudanças climáticas e à expansão da influência da China no mundo - G7

No último fim de semana, chefes de Estado e de governo dos Estados Unidos, Canadá, Alemanha, França, Itália, Reino Unido e Japão se reuniram na 47ª Cúpula do G7, em Cornwall, Inglaterra. Além dos três principais assuntos: pandemia, nova tributação a transnacionais e mudanças climáticas, as relações com a China também tomaram conta do debate

Continua após publicidade

O bloco reiterou seu apoio à criação de um imposto global de 15% sobre os lucros das multinacionais, especialmente gigantes tecnológicas, como Google, Amazon, Microsoft e Facebook. A proposta deverá ser debatida na próxima reunião do G20, que deve acontecer em outubro.

Também aprovaram aumentar o orçamento do Fundo Monetário Internacional (FMI) para que o organismo ofereça empréstimos de até US$ 100 bilhões aos países em desenvolvimento. 

::EUA aprovam financiamento de competição tecnológica além de medidas contra a China::


Através de alianças com o Japão e novos projetos de infraestrutura, o G7 busca aumentar a influência nos países do continente asiático / G7

China

Os líderes do G7 aprovaram o plano "Reconstruir melhor o futuro", que buscará atender necessidades de infraestrutura na África, América Latina e região do Pacífico. Para isso, realizaram encontros com o primeiro ministro indiano, Narendra Modi, e o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa.

O projeto é uma clara contraproposta à nova Rota da Seda, apresentada em 2013 pelo presidente chinês Xi Jinping, que busca erguer obras de infraestrutura na África, Europa e América Latina para criar novas rotas comerciais para os próximos 30 anos.

::O que é a nova rota da seda e quais serão os impactos para a América Latina?::

Os mandatários também declararam seu apoio aos movimentos separatistas de Hong Kong e voltaram a denunciar uma suposta situação permanente de violação de direitos humanos na China. 

"Vemos que as democracias liberais e sociedades abertas sofrem pressão de regimes autoritários. Esse desafio uniu as forças do G7 não só para responder pressões e ataques, mas também para disseminar o valor da liberdade", declarou o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel.

Ainda que a China seja a segunda maior economia do mundo, com um PIB de US$ 15,4 trilhões, o país havia sido excluído do G7, porque sua renda per capita ainda a posicionava como um país em desenvolvimento. Depois de erradicar a pobreza extrema, o país permanece de fora por divergências políticas.

Diante das acusações, o governo chinês relativizou o impacto das decisões do G7 e convocou os líderes do grupo a suspender sua difamações e política intervencionista. 

Leia mais: Entenda os impactos globais da "nova guerra fria" entre Estados Unidos e China

"Acreditamos que países grandes e pequenos, fortes e fracos, ricos e pobres são iguais, e os problemas globais devem ser resolvidos através de consultas que envolvam todos os países. Já ficou para trás o tempo em que um grupo de países tomava decisões mundiais", publicou, em comunicado, a embaixada chinesa em Londres. 


A África do Sul foi a convidada especial da última Cúpula do G7, que posa com distanciamento social para foto / G7

Pandemia 

Este foi o primeiro encontro do G7 realizado durante a pandemia do novo coronavírus. A crise sanitária global foi um dos temas de destaque.

Depois de uma série de denúncias da própria Organização Mundial da Saúde (OMS), de que as maiores potências econômicas concentram cerca de 70% dos imunizantes já produzidos no planeta, os líderes do G7 acordaram a oferta de 1 bilhão de doses aos países pobres, seja pela redistribuição dos estoques excedentes ou financiando o consórcio Covax

Além disso, ao invés de apoiar a proposta da Índia e da África do Sul, de quebrar as patentes para as vacinas contra covid-19 na Organização Mundial do Comércio (OMC), o grupo dos sete determinou que os países terão um prazo máximo de 100 dias para desenvolver e aprovar as licenças de novas vacinas.

:: Entenda por que apenas 10 países dominam a vacinação contra a covid-19 :: 

Foram aplicadas 2,156 bilhões de doses de vacinas contra a covid-19, até o dia 10 de junho, segundo a OMS. O número é insuficiente para conter o avanço da doença, que já infectou 175 milhões de pessoas e vitimou outros 3,7 milhões em todo o planeta. 

Considerando que existem 7,7 bilhões de pessoas no mundo, seriam necessárias cerca de 15 bilhões de doses de vacinas para imunizar todo o planeta. Usando um valor médio de US$ 15 por dose (R$ 75), seria necessário desembolsar US$ 225 bilhões, ou mais de um R$ 1 trilhão, para a imunização total do planeta. O valor representa 70% do que os cinco maiores multimilionários do mundo obtiveram no último ano.

Leia também: Venezuela denuncia bloqueio de pagamento de vacinas do consórcio da OMS


O presidente dos EUA, Joe Biden se reunniu com a chanceler alemã Angela Merkel, que irá visitar Washington em julho / G7

Mudanças climáticas 

Assumindo a retórica da administração Biden, o G7 acordou apoiar uma "revolução verde" nos seus países para os próximos anos, limitando o aumento da temperatura global a 1,5 ºC e reiterando a meta de zerar as emissões de gás carbônico até 2050.

Com essas medidas, a Casa Branca e os demais governos do G7 buscarão substituir a base energética atual, sustentada pelo petróleo, por outros minerais, como o lítio. Para isso, irão destinar anualmente cerca de US$ 100 bilhões até 2025.

Em 2009, o G7 já havia acordado destinar US$ 100 bilhões para "ajudar os países pobres" a reduzir a emissões de carbono, no entanto, a promessa nunca se cumpriu. 

Também aprovar promover ações que protejam 30% da superfício dos oceanos na próxima década.

Os novos pactos são considerados uma prévia dos debates da 26ª Cúpula do Clima, que será realizada em novembro de 2021.

Edição: Vinícius Segalla