Pandemia

Proprietário pede imóvel e Al Janiah fechará neste mês, se não arrecadar R$ 120 mil

Espaço tradicional da esquerda, restaurante resistiu ao primeiro ano da pandemia, mas pode sucumbir se não for ajudado

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“São pessoas que agem com covardia", afirma fundador do Al Janiah
“São pessoas que agem com covardia”, afirma fundador do Al Janiah | Crédito: Foto: Al Janiah

O Al Janiah, bar e restaurante de origem palestina, que se tornou um importante espaço de encontro para a esquerda paulistana, pode encerrar suas atividades neste mês, caso não consiga arrecadar R$120 mil.

“O que precisaríamos agora, de fato, para colocar os alugueis, IPTU, salários e pendências com fornecedores pequenos, precisaríamos de R$ 120 mil. A dívida total do Al Janiah é R$ 250 mil, mas com R$ 120 mil poderíamos nos manter abertos”, explica Hasan Zarif, fundador e sócio do Al Janiah.

Com aluguéis atrasados há um ano, o espaço, cuja sede é um prédio na rua Rui Barbosa, na região central de São paulo, pode ser alvo de despejo, alerta Zarif.

“Agora apertou, pois o proprietário pediu o imóvel e não temos o que fazer. A pandemia se estendeu demais, não esperávamos que fosse tanto tempo e nós ficamos fechados durante esse período", lamenta.

"O delivery não segura o tamanho da nossa dívida e tem muito estresse para contornar. A dívida com músicos e fornecedores, conseguimos negociar, mas aluguel e salários não tem como.”

Com os R$ 120 mil, seria possível pagar os aluguéis atrasados, IPTU, alguns fornecedores e os trabalhadores do Al Janiah.

O restaurante, que foi mantido fechado para o público durante toda a pandemia, funcionando somente por delivery, voltou a receber os clientes no dia 12 de junho, respeitando os protocolos de saúde exigidos para evitar a contaminação por coronavírus.

Fundado em janeiro de 2016, em um tímido espaço na rua Álvaro de Carvalho, região central de São Paulo, o Al Janiah entrou rapidamente no radar da esquerda e da boemia, e ficou pequeno para tantos frequentadores.

Em 2017, mudou para um prédio, na rua Rui Barbosa, e expandiu suas atividades, se tornando também um espaço cultural e um ponto de encontro e reuniões para movimentos populares, sindicatos e outras entidades ligadas à esquerda.

“No começo da pandemia, adaptamos o espaço, colocamos chuveiro e recebemos pessoas em situação de vulnerabilidade. Durante a pandemia, fizemos parceria com alguns grupos e usamos a cozinha do Al Janiah para produzir marmitas e distribuir, isso é algo que nunca divulgamos, não temos interesse nisso", relata Zarif.

"No frio, distribuímos cobertores. Enfim, as pessoas sabem como está o país neste momento e as pessoas procuram o Al Janiah para comer e se abrigar. Infelizmente, não conseguimos acolher todo mundo, mas é um espaço solidário”, ressalta.

Para ajudar o Al Janiah, há quatro maneiras: pedir as refeições do restaurante; cooperar com a campanha de arrecadação de fundos feita pelo espaço; comprar números da rifa cultural; ou doar dinheiro diretamente ao estabelecimento. Outras informações, nas redes sociais do espaço.

Editado por: Leandro Melito

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