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Programa Bem Viver debate racismo com entrevista da deputada Érica Malunguinho

“Se estamos em lugar de sociabilidade branca somos obrigado a negociar nosso pertencimento”, diz deputada estadual

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Eleita em 2018 com mais de 55 mil votos, Érica é a primeira mulher trans deputada no Brasil. - Alesp/ Divulgação
Brasil não aguentaria mais quatro anos de gestão Bolsonaro

O racismo é um problema tão grave e tão estruturante na sociedade brasileira que mesmo que uma pessoa negra ascenda econômica e socialmente ela continua em condição de vulnerabilidade, sofrendo com o racismo e a discriminação. “Sempre que estivermos em um lugar de socialidade branca vamos precisar negociar nosso pertencimento”, disse a deputada estadual de São Paulo Érica Malunguinho, em conversa com o Entrevista BdF repercutida na edição de hoje (22) do Programa Bem Viver.

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A deputada conta que a população negra aprende desde criança uma série de códigos sociais para se proteger de violências raciais, em diferentes espaços. “É uma questão de sobrevivência. Hoje eu estou deputada, tenho acesso à escolarização, fiz mestrado e tenho condição econômica diferente da maioria da população negra do Brasil, mas continuarei programada para me proteger das violências raciais”, afirmou. “Eu entro no supermercado e dou um nó na sacola, evito abrir a bolsa e quando vejo um carro de polícia já elaboro respostas. É algo cultivado desde a infância.”

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Eleita em 2018 com mais de 55 mil votos, Érica é a primeira mulher trans a assumir o cargo de deputada no Brasil.

“O racismo é o mesmo, não importa se você está no Norte ou no Sul, ele ultrapassa barreiras geográficas e de classes. Mesmo pessoas negras de classe média estão fadadas a negociar seu pertencimento”, pontuou. “Esse país foi fundado a partir das distinções de raça, na qual uma parte da população arcou com ônus da precarização, que são os negros e indígenas, e outra com o bônus dos privilégios, que é a população branca.”

A deputada comentou também sobre a política do país e sobre o cenário eleitoral de 2022. “Foi no vácuo de uma terceira via que Bolsonaro emergiu em 2018. Tenho preocupação com a eleição de 2022 e com o risco de mais quatro anos de governo Bolsonaro. O país não se sustentaria”, avaliou.

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Covid-19 no sistema penitenciário

Nos últimos 30 dias, o aumento do número de mortes por Covid-19 entre internos e servidores do sistema penitenciário brasileiro cresceu duas vezes mais que o número de casos diagnosticados, indicando uma possível subnotificação, segundo especialistas. O total de obtidos aumentou 16% contra um crescimento de 8% nos casos confirmados, de acordo com reportagem da Rádio Nacional.

Os dados são sistematizados a cada 15 dias pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a partir de dados divulgados pelos estados. No entanto, alguns estados ficam longos períodos sem atualizar os números. Há seis meses, por exemplo, o Piauí não registras novos dados. O Rio Grande do Norte ficou oito meses sem divulgar as informações. No último balanço, apenas 15 das 27 unidades da federação informaram dados.

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“Não há testagem efetiva nos estados. Na maioria das vezes são testes rápidos e não PCR, que tem uma efetividade maior. Há um aumento significativo dos registros de mortes por síndrome aguda respiratória grave, mas os casos acabam sendo registrados por relatos de familiares ou da imprensa”, diz à Rádio Nacional Felipe Freitas, criminologista e idealizar do Portal Infovirus, que monitora casos de Covid-19 nas cadeias.

O sistema carcerário brasileiro, um dos maiores do mundo, reúne pelo menos 760 mil pessoas. Desde o começo da pandemia foram registrados 85 mil casos de Covid-19 no sistema penitenciário, com 496 óbitos. Metade das mortes ocorreram entre servidores públicos.

Direitos das mulheres

Em junho é celebrado o mês da diversidade e o orgulho LGBTQIA+, um período para falar não apenas da luta contra a homofobia, mas também contra o machismo, contra o patriarcado e contra a opressão das mulheres. Isso porque é urgente defender a segurança e os direitos das mulheres heterossexuais, lésbicas, bissexuais e trans.

Esse é o mote de um artigo emocionante publicado na Coluna da SOF, a Sempreviva Organização Feminista, divulgado na edição de hoje do Programa Bem Viver.

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“As lutas das mulheres lésbicas e bissexuais se encontram e se entrelaçam com as lutas do movimento feminista: quando mulheres lésbicas e bissexuais questionam o androcentrismo (a centralidade dos homens) em suas vidas, todas as mulheres se fortalecem em relação à autonomia e à liberdade”, diz o artigo. “Quando o movimento feminista reivindica que ‘seguiremos em marcha até que todas sejamos livres’, isso inclui ser livre dos armários, das violências e da precarização da vida impostas pela discriminação e pela norma heteropatriarcal.”

O texto, narrado em áudio e assinado pela comunicadora, poeta e integrante da equipe da SOF, Helena Zelic, defendeu veementemente a liberdade de poder ser quem se é.

“O mundo que queremos é livre de racismo, de violência, da obrigação de ser mãe (e também, por outro lado, da discriminação às que desejam ser mães), da exploração e do controle sobre as mulheres e seus corpos, territórios e sexualidades”, aponta o artigo.

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Edição: Sarah Fernandes