Educação com saúde

Professores defendem retorno às aulas presenciais somente após vacinação completa

Previsão para retomada é início de agosto, porém maior parte dos docentes será totalmente imunizada somente em setembro

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Ato do sindicato em fevereiro deste ano já pedia vacinação como medida prioritária para volta às aulas presenciais | Crédito: Foto: Comunicação Sind-REDE

Sem ouvir a comunidade escolar, o governo de São Paulo anunciou que as aulas presenciais poderão ser retomadas em sua capacidade total em 02 de agosto. Hoje, o limite da aula presencial é de 35% da capacidade de cada sala. A partir dessa data, as escolas poderão atender até 100% dos estudantes, se garantidos protocolos sanitários e o distanciamento de 1 metro entre cada pessoa.

Professores da rede pública afirmam que temem a retomada das atividades. Evandro Coutinho é um deles. Professor de História e Sociologia em Santo André, na região do ABC paulista, ele lembra que, além do risco de contaminação dos familiares, até início de agosto, a maior parte dos profissionais da área ainda não estarão totalmente imunizados.

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Grande parte dos profissionais da Educação recebeu a primeira dose em junho, com doses da Pfizer, e a previsão de receber a segunda é apenas em setembro.

"Se a gente retorna agora com 100% da capacidade, estaremos colocando em risco a vida de milhares de pessoas, para não dizer milhões, porque são alunos que não estão imunizados, estão indo para casa com familiares que não estão vacinados. E por mais que nós profissionais estejamos relativamente seguros, a comunidade escolar não está, nós podemos contrair e sermos assintomáticos", afirma Coutinho.

Outras tentativas de volta à normalidade das atividades escolares no estado não foram bem sucedidas. Em fevereiro, em meio a protestos de professores, as escolas foram reabertas e, em pouco tempo, voltaram a fechar as portas devido ao agravamento da pandemia. No período, morreram 51 profissionais da educação e dois estudantes por complicações da covid-19.

Segundo o infectologista Marcos Boulos, que integra o centro de contingenciamento do coronavírus estadual, a volta às aulas não seria segura no cenário atual. Em reunião com o secretário de Saúde Rossieli Soares, o centro indicou que o retorno só deveria acontecer com os professores totalmente imunizados e com a diminuição da curva epidemiológica.

"Nós sempre fomos contrários à abertura  quando o risco era muito grande, principalmente pelo risco aos professores e funcionários. Mas se estabilizar e começar a descer, aí nós vamos reavaliar e discutir a possibilidade de abertura" , afirma Boulos.

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A pandemia aparentemente estava dando uma estabilizada, mas agora começou a crescer um pouco. Então, ficamos de avaliar quando estiver mais próximo [de 2 de agosto]".

Em nota, o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) manifestou posição contrária à reabertura total das aulas e afirmou que além da vacinação de toda comunidade escolar, seriam necessárias reformas e adaptações nos espaços para garantir ventilação e condições adequadas de segurança sanitária.

Além das escolas públicas, a medida do governo estadual também afeta a rede privada. Danilo Heitor Vilarinho é professor nas redes pública e privada, em São Paulo e afirma que, apesar das melhores condições de infraestrutura nas escolas particulares, os riscos também são grandes.

Ele cita o fato da maior parte das salas da escola em que leciona não possuir ventilação suficiente, já que foram projetadas para funcionar com ar-condicionado. E também lembra do fator do deslocamento por meio de transporte público. Em seu cálculo, ele conta que passa mais de 3 horas por dia dentro de vagões fechados e outras 3 horas dentro das salas com os alunos.

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"A questão da segurança, se você parar para pensar, você não vai. porque não tem condição mesmo. Os trens e os metros são ambientes fechados, as janelas não abrem, mesmo acima da superfície. Em alguns momentos eles estão superlotados, então é impossível manter qualquer distanciamento", afirma o professor, que atualmente está afastado do trabalho presencial devido à suspeita de contaminação pelo coronavírus.

"O número de pessoas que eu cruzo e posso contaminar e posso ser contaminado, é exponencial o tamanho. Não tem como calcular. Se eu tiver com covid, não tem como calcular quantas pessoas estou contaminado".

O governo de São Paulo disse que vai garantir 3 milhões de testes de covid-19 para profissionais da área da Educação e alunos. Mesmo assim, a categoria é enfática ao afirmar que, com segurança para retomar as atividades, somente com a vacinação de todos.

"Para voltar às aulas presenciais, tem que todo pessoal da escola estar vacinado, com janela imunológica, todos os trabalhadores, não só professores. E vacinação também para os estudantes", afirma Vilarinho.

Procurado pelo Brasil de Fato para que pudesse se pronunciar sobre o assunto, o governo do Estado de São Paulo não respondeu até a publicação desta reportagem.

Editado por: Isa Chedid e Leandro Melito

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