Estudo do dieese

Cresce 250% desligamentos por mortes de profissionais da educação no Paraná

Alta das mortes coincide com as políticas de retorno das aulas presenciais

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Mais escolas devem voltar às aulas presenciais no Paraná em julho | Crédito: Foto: Seed

Umas das principais estratégias de combate à pandemia foi a adoção da suspensão das aulas presenciais em todo país. No entanto, diversos municípios e estados, contrariando os protocolos de saúde e as recomendações de especialistas, decidiram permitir o retorno das aulas presenciais, como é o caso do Paraná em 2021 e como acontecerá em Curitiba, a partir de 19 de julho.

Agora, um estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostra que essa estratégia coloca em risco, principalmente, a vida dos profissionais da educação. Levantamento revela que os desligamentos por morte na educação cresceram nos quatro primeiros meses do ano em relação ao mesmo período de 2020, quando o país ainda não sofria com a pandemia.

A taxa de desligamento por morte no Paraná entre os profissionais da educação cresceu 250% entre 2020 e 2021, segundo o estudo. Entre janeiro e abril de 2020 foram contabilizados 28 desligamentos. No mesmo período deste ano, a quantidade de registros saltou para 98 casos. O estudo, no entanto, não revela se esses desligamentos foram causados por covid-19.

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Segundo o Dieese, ocorreram 1.479 desligamentos por morte entre janeiro e abril de 2021 em todo o país. O aumento no número de desligamentos por morte entre os trabalhadores da educação foi mais acentuado nos três estados com as maiores taxas de mortalidade por covid-19: Rondônia, Amazonas e Mato Grosso. Manaus, por exemplo, foi uma das capitais que manteve as aulas presenciais durante o surto de covid-19.

“Nos primeiros quatro meses de 2021, a quantidade de desligamentos de trabalhadores por morte no Brasil aumentou 89%, saindo de 18.580 para 35.125. Na educação, esse número mais do que dobrou. O setor foi o quarto com o maior registro de contratos formais extintos devido ao falecimento de trabalhadores”, esclarece o Boletim.


Em Curitiba, profissionais da educação fizeram ato simbólico em frente ao Núcleo Regional de Educação, nesta segunda (21) / Foto: APP-Sindicato

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Um dado chama atenção do levantamento: as mortes entre profissionais da educação ocorreram mais no ensino médio, onde as aulas presenciais voltaram mais rápido no país. No Paraná, por exemplo, o ensino superior segue em sistema remoto. Já a educação infantil em Curitiba, no sistema público municipal, ainda não retornou para a modalidade presencial.

“Entre os profissionais da educação, os professores com ensino superior, que dão aulas no ensino médio, tiveram o maior aumento no número de desligamentos por morte. No início de 2021, essa quantidade mais que triplicou em relação a 2020. O número de contratos extintos por morte entre professores de nível médio que atuam na educação infantil e fundamental também teve grande aumento: 238% nos quatro primeiros meses de 2021”, aponta o Dieese.


Números mostram aumento da mortalidade de profissionais / Fonte: Dieese

Esses números mostram que os profissionais da educação foram expostos à contaminação por decisões políticas de prefeitos e governadores. Reflexão que é feita pelo deputado estadual Professor Lemos (PT). 

“Estamos perdendo muitos professores e funcionários, que estão indo para o cemitério, por conta desta política que está sendo feito no Paraná na educação. Hoje, professores, funcionários de escolas e estudantes estão em movimento, denunciando que a retomada das aulas e atividades presenciais nas escolas tem levado à morte de muitos professores e muitos funcionários de escolas. O Paraná é o estado com maior número de mortes de educadores do Brasil”, compara.

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Editado por: Lia Bianchini

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