Boleiro Ativista

Alvo de racismo na Euro, Rashford pressionou Boris Johnson e arrecadou R$ 26 mi contra a fome

Jovem atacante da seleção inglesa perdeu pênalti na final da Eurocopa e Itália ganhou o torneio continental

Brasil de Fato | Brasília (DF) |
O atacante inglês Marcus Rashford tem histórico de ativismo no Reino Unido; ele foi um dos atletas que perdeu o pênalti na final - John Sibley Pool/AFP

O atacante Marcus Rashford, do Manchester United, foi um dos atletas que desperdiçou a chance de fazer o gol nas cobranças de pênalti da final da Eurocopa no último domingo (11), entre Inglaterra e Itália, realizada no estádio de Wembley, em Londres. A seleção italiana foi campeã do torneio continental pela segunda vez consecutiva.

Além dele, Jadon Sancho e Bukayo Saka também perderam as penalidades pela seleção inglesa na decisão. Os três atletas são negros. Eles sofreram racismo nas redes sociais minutos após o fim do jogo, como mostram as capturas de tela abaixo, com comentários publicados em seus perfis no Instagram. Por seu histórico ativista, Rasford foi o alvo preferencial das manifestações racistas.


Comentários racistas no Instagram de Rashford dizem que a mãe dele é uma "macaca" / Reprodução/Instagram

O caso gerou uma onda de solidariedade a Rashford, Sancho e Saka. A Federação Inglesa de Futebol (Football Association) publicou nota de repúdio aos comentários racistas: "A FA condena fortemente todas as formas de discriminação e está chocada com o racismo online que tem se dirigido a alguns de nossos jogadores da Inglaterra nas redes sociais. Não poderíamos deixar mais claro que alguém por trás de tal comportamento nojento não é bem-vindo na torcida da equipe. Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para apoiar os jogadores afetados e, ao mesmo tempo, pedir as punições mais duras possíveis para todos os responsáveis."

O prefeito de Londres, Sadiq Khan, também condenou a atitude. O político chamou os atletas de  “três leões”. "Não há lugar para racismo no futebol ou em qualquer outro lugar. Os responsáveis pelo nojento abuso online que vimos devem ser responsabilizados – e as empresas de mídia social precisam agir imediatamente para remover e prevenir esse ódio", escreveu.

 

A Uefa, confederação europeia de futebol, também se pronunciou contra os ataques: "Condenamos veementemente o nojento abuso racista dirigido a vários jogadores ingleses nas redes sociais após a final do EURO, que não tem lugar no futebol ou na sociedade. Apoiamos os jogadores e o apelo da FA Inglesa às punições mais fortes possíveis. #EqualGame#Respect".

Relembre histórico ativista de Rashford

Um dos mais talentosos jogadores da Inglaterra, Rashford é conhecido por sua luta contra a fome. Um campanha realizada pelo atleta fez com que o governo britânico fosse constrangido a criar um “fundo escolar” para alimentar crianças pobres.

A ação liderada por Rashford mobilizou a internet e fez o primeiro-ministro Boris Johson ampliar o programa de refeições gratuitas para crianças desfavorecidas durante o verão no hemisfério norte.

"Muitas crianças que cresceram onde eu cresci podem sentir que estão presas em um ambiente em que é difícil atingir algo. Eu posso ser esse exemplo para elas. Acho importante que eles vejam a luz. Se eu puder ser exemplo para elas, nunca perderia essa oportunidade", afirmou, à época, à revista GQ do Reino Unido.

No início da pandemia, o atacante foi o líder do "Players Together", movimento de jogadores da elite do Campeonato Inglês que doou 4 milhões de libras (R$ 26,2 milhões) para o projeto do Serviço Nacional de Saúde britânico.

Também em 2020, Rashford também fez parceria com a instituição de caridade Fareshare, e atingiu a meta de 3 milhões de refeições para serem distribuídas às famílias carentes na pandemia.

Edição: Vivian Virissimo