Luta e vigília

Mais de 6 mil indígenas ocuparam a Praça dos Três Poderes em oposição ao marco temporal

Manifestantes também protestaram em frente ao Congresso Nacional contra pautas que tiram direitos dos povos originários

Brasil de Fato | São Paulo (SP) |

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Representantes dos povos indígenas permaneceram em frente ao Supremo Tribunal Federal até à noite - Nayá Tawane©/ Brasil de Fato

Mais de 6 mil indígenas participaram de uma vigília na Praça dos Três Poderes em Brasília, em protesto contra a tese do marco temporal. São manifestantes que estão acampados na capital federal desde domingo, para acompanhar a votação do tema no Supremo Tribunal Federal (STF).

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A tese defende que a demarcação de terras só deve ser feita se o povo que faz o pedido estivesse ocupando o território no dia 5 de outubro de 1988, data de promulgação da Constituição Federal.

Na tarde desta terça-feira, o grupo fez uma caminhada de mais de dois quilômetros entre o local do acampamento - na Praça da Cidadania, ao lado do Teatro Nacional - e a região onde ficam o Supremo e o Congresso Nacional. Milhares de pessoas lotaram todas as faixas do Eixo Monumental.

 

Em frente ao Congresso Nacional, os povos condenaram a agenda anti-indígena em curso no legislativo e no governo federal. Com faixas, cartazes e danças eles pediam proteção aos territórios e o impeachment do presidente Jair Bolsonaro.

O principal alvo é o Projeto de Lei 490, de 2007, que também determina o marco temporal e vai além,  transfere para os parlamentares o poder de decisão sobre processos de demarcação. O texto já teve aval da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, mas ainda precisa ser votado em plenário.

Na sequência, seguiram para a frente do STF, onde ficaram até o período da noite. O tribunal deve colocar a tese do marco temporal em pauta nesta quarta-feira (25). Os grupos que estão acampados em Brasília vão acompanhar a votação.

O acampamento

A mobilização nacional "Luta pela Vida" reúne mais de 170 comunidades. Organizações de base e a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) estão à frente do movimento, que ainda deve receber mais pessoas até esta quarta.

Além das caminhadas e vigílias, o grupo está se reunindo em plenárias, agendas políticas em órgãos do governo, e embaixadas e manifestações culturais. Nesse período, indígenas de todas as regiões do país ficarão acampados


Povos indígenas protestam contra o governo / Nayá Tawane©/ Brasil de Fato

No local do acampamento há uma equipe de saúde que orienta os manifestantes quanto aos protocolos de segurança em combate à propagação do coronavírus.

“As recomendações sanitárias começam desde o momento em que as delegações se mobilizam para sair de seus territórios. A Apib propõe a convocação de pessoas que já estejam com sua cobertura vacinal completa,” afirma Dinamam Tuxá, um dos coordenadores executivos da Apib.

Edição: Leandro Melito