Segurança alimentar

‘Fome no Brasil é fruto de decisão política’, diz Greenpeace ao Programa Bem Viver

Encarecimento dos alimentos deve durar pelo menos mais dois anos, devido ao boom de commodities, prevê especialista

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O último senso agropecuário do IBGE (2017), revela que o agronegócio domina 77% das terras agricultáveis no país. - Foto: Governo do Mato Grosso
O agronegócio é fortalece a concentração de riquezas as custas do encarecimento do aumento da fome

O crescimento da insegurança alimentar no Brasil não é fruto da escassez de alimentos, mas de escolhas políticas que fortalecem o agronegócio e a produção de commodities voltadas para a exportação, aumentando o preço interno dos alimentos. Essa é a opinião de Adriana Charoux, coordenadora da campanha “Agroecologia contra a Fome”, do Greenpeace Brasil, entrevistada na edição de hoje (2) do Programa Bem Viver.

“O Brasil voltou para o Mapa da Fome (pesquisa global feita pela ONU) e isso é dramático porque não é algo inevitável, não é resultado da escassez de alimentos, mas é fruto de decisões políticas completamente equivocadas do Estado brasileiro e das grandes empresas, fortalecidas por políticas neoliberais, que radicalizam retirando um direito fundamental da população: acessar alimentos”, disse.

Pesquisas recentes apontam que pelos menos 80 milhões de brasileiros enfrentam algum nível de insegurança alimentar. A especialista avalia que a situação deve se manter crítica pelos próximos dois anos, quando a exportação de commodities estará aquecida, o que reforça a alta interna nos preços dos alimentos.

“Nosso dinheiro compra cada vez menos comida e esse cenário tende a piorar. Com o boom global de commodities e a aposta do Brasil no agronegócio, muitos agricultores produzem apenas o que será mais valorizado no mercado interno o que causa o aumento nos preços. É um modelo de exportação e de concentração de riquezas e lucros nas mãos de poucos as custas do encarecimento dos alimentos e do aumento da fome”, pontua.

A alternativa, segundo Adriana, seria investir em políticas de incentivo aos pequenos produtores e a agroecologia, que são os principais responsáveis pela produção dos alimentos consumidos pela população. “O Greenpeace entende que a agroecologia é o caminho para superação das crises que vivemos hoje. O agronegócio é produtor de commodities e não de comida. Apostar na agroecologia é jogar luz a um outro modelo.”

Um país com fome

O novo episódio da série especial de reportagens "Fome no Brasil", produzido pelo Brasil de Fato, vai para o Pará entender a realidade da população ribeirinha da Grande Belém. São famílias que mesmo antes da pandemia já tinham dificuldade de garantir uma alimentação completa todos os dias. Com a chegada da crise sanitária o cenário piorou e as incertezas sobre a alimentação se intensificaram.

Moradores das comunidades ribeirinhas do rio Guamá, que fica próxima a capital paraense, são taxativos em afirmar que foram esquecidas durante a pandemia e que não foram postas em prática políticas públicas efetivas para esta população.

A série completa, publicada desde o início de agosto, está disponível no Brasil de Fato.

Feira da reforma agrária

Na próxima semana ocorre a 13a edição da Feira Estadual da Reforma Agrária Cícero Guedes, no Rio de Janeiro. Por conta da pandemia, mais uma vez, o evento será em formato alternativo: os interessados em adquirir produtos dos agricultores assentados podem encomendá-los pela internet e recebê-los em casa.

Despedida de um campeão

Ontem (1) o esporte mundial se despediu de um dos maiores atletas da história: o nadador Daniel Dias, que se aposentou depois de ter conquistado 27 medalhas em Paralimpíadas.

Em Jogos Parapanamericanos são mais 33 medalhas na conta, além de dezenas de títulos em outras competições de natação. Em uma despedida marcante, Daniel Dias, de 33 anos, falou a imprensa e se emocionou. Confirma em reportagem da Rádio Agência Nacional, repercutida no Bem Viver.


Confira os horários de transmissão do programa Bem Viver / Brasil de Fato

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O programa vai ao ar de segunda a sexta-feira, das 11h às 12h, com reprise aos domingos, às 10h, na Rádio Brasil Atual. A sintonia é 98,9 FM na Grande São Paulo e 93,3 FM na Baixada Santista.

Em diferentes horários, de segunda a sexta-feira, o programa é transmitido na Rádio Super de Sorocaba (SP); Rádio Palermo (SP); Rádio Cantareira (SP); Rádio Interativa, de Senador Alexandre Costa (MA); Rádio Comunitária Malhada do Jatobá, de São João do Piauí (PI); Rádio Terra Livre (MST), de Abelardo Luz (SC); Rádio Timbira, de São Luís (MA); Rádio Terra Livre de Hulha Negra (RN), Rádio Camponesa, em Itapeva (SP), Rádio Onda FM, de Novo Cruzeiro (MG), Rádio Pife, de Brasília (DF), Rádio Cidade, de João Pessoa (PB), Rádio Palermo (SP), Rádio Torres Cidade (RS) e Rádio Cantareira (SP).

A programação também fica disponível na Rádio Brasil de Fato, das 11h às 12h, de segunda a sexta-feira. O programa Bem Viver também está nas plataformas: Spotify, Google Podcasts, Itunes, Pocket Casts e Deezer.

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Edição: Sarah Fernandes