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Programa Bem Viver debate disco ‘Sobrevivendo no Inferno’, dos Racionais MC's

O álbum, patrimônio da música brasileira, é considerado de aula de história do Brasil e a manifesto anti-racista

Ouça o áudio:

O Racionais MCs é formado por Mano Brown, Edi Rock, KL Jay e Ice Blue - Foto: Divulgação
Ele não nasceu um clássico, ele se fez um clássico

Considerada uma das produções mais emblemáticas do grupo de Rap Racionais MC's, o disco “Sobrevivendo no Inferno” é entendido como uma aula de história do Brasil, um manifesto anti-racista e um posicionamento contra a violência policial e a descriminação da população negra. A obra é reconhecida por diversos estudiosos como patrimônio da música nacional, entre eles o pesquisador Arthur Dantas Rocha, entrevistado na edição de hoje (3) do Programa Bem Viver.

Recentemente, ele lançou o livro “Racionais MC's: Sobrevivendo no Inferno”, que faz parte da coleção o “Livro do Disco”, da Editora Cobogó, e ressalta a importância do álbum para a música e para a luta anti-racista no Brasil e no mundo. “Ele não nasceu um clássico, ele se fez um clássico e se provou um disco incontornável”, pontuou.

O autor inicia o livro falando sobre necropolítica, um assunto que considera essencial para entender a obra dos Racionais. “Falar de necropolítica é dizer que no sistema que gente vive os corpos de determinados grupos sociais foram feitos para serem mortos. Essa ideia é forte o suficiente para dar o contorno do que vai ser discutido no livro.”

Lançado em 1997, “Sobrevivendo no Inferno” é considerado um marco do Rap nacional, mas durante muito tempo foi atacado e criminalizado por parte da sociedade. O trabalho carrega também a marca de ser uma produção independente, com todas as faixas captadas em uma gravadora criada pelo próprio grupo.

“Essa reação de início, em especial dos meios de comunicação, é fruto do racismo brasileiro. As pessoas não sabiam como lidar, não conseguiam achar um lugar para a obra dentro da cultura brasileira. Os Racionais causaram um curto circuito”, disse Arthur. “O Rap tem que ser o que ele quiser ser. É um gênero livre para dizer o que achar que deve ser dito.”

Fome no Brasil

Em mais um capítulo da série especial de reportagens Fome no Brasil, o Brasil de Fato volta ao Pará para conhecer famílias que vivem na Vila da Barca, em Belém, reconhecida como uma das maiores comunidades de palafita do Brasil.

A reportagem ouviu mães chefes de família que diariamente precisam fazer o impossível para garantir a alimentação dos filhos. Em alguns dias elas até teriam dinheiro para comprar comida, mas o valor acaba sendo usado para comprar botijão de gás.

A inflação do país pode não estar tão alta como em outros momentos, mas o preço dos produtos de primeira necessidade aumentou exponencialmente, como os alimentos e o gás. Em Belém, o preço médio do botijão está em R$ 116.

Covid-19 longa

Já é consenso entre especialistas que a Covid-19 não é apenas uma doença respiratória. Apesar de apresentar sintomas parecidos com os da gripe, o vírus atinge diversos sistemas do organismo.

Essa característica da doença fica mais evidente no processo de recuperação dos infectados: mesmo sem o vírus no corpo, pacientes sentem dores, falhas de memória, ou perda de outros sentidos. Mesmo quem tem sintomas mais leves, como a alteração do paladar, enfrenta desconfortos que acabam desencadeando quadros de depressão e ansiedade.

Em São Paulo, o Hospital das Clínicas, referência no tratamento de pacientes, companha um grupo de 800 pessoas com sintomas da chamada Covid-19 Longa. A Rádio USP conversou com uma das responsáveis pelo programa, a médica e professora Linamara Rizzo Battistella, que atua no Instituto de Medicina Física e Reabilitação.

Ela relata que pacientes que tiveram alta há um ano e ainda sentem cansaço, tontura, dor e dificuldade respiratória.

Ouro ilegal

Pelo menos 28% do ouro produzido no Brasil entre 2019 e 2020 teve evidências de irregularidades, segundo dados levantados por cientistas da Universidade Federal de Minas Gerais. O problema foi observado inclusive em produtos certificados.

O levantamento aponta que 90% da produção ilegal de ouro no Brasil vêm de garimpos que estão na Amazônia, que falta fiscalização e que há uma relação direta entre a atividade e a destruição da floresta e de terras indígenas.

Ao todo, 21 mil hectares de floresta amazônica foram desmatados para mineração entre 2019 e 2020, a grande maioria no Pará. Desses total desmatado, 5 mil hectares foram em terras indígenas homologadas, ameaçando povos originários que como os Kayapó, Yanomami e Munduruku.

Das 174 toneladas de ouro negociadas no ano passado e no ano retrasado, 38% vieram de origem desconhecida, 28% foram identificadas como irregulares e apenas 34% tiveram origem legal, segundo o estudo, que investigou caminhos percorridos pelo ouro brasileiro a partir de dados de desmatamento.

A base de dados foram as 17.500 transações com ouro realizadas nos dois anos analisados. Em quase 40% delas não havia nenhum tipo de informação sobre o local de origem, o que é obrigatório. O estudo teve participação do Ministério Público Federal, que após a publicação entrou como uma ação civil pública contra a Agência Nacional de Mineração e o Banco Central.

O total de ouro produzido no Brasil com sinais de ilegalidades é de 48,9 toneladas. Mais de 70% do produto é vendido para o Canadá, Reino Unido e Suíça. A solução para o problema é fiscalização, inclusive nos países compradores.


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Edição: Sarah Fernandes