TRABALHO

Catadores de materiais recicláveis sentem impacto da pandemia na produção e no bolso em PE

Com a pandemia, as cooperativas de materiais recicláveis têm sofrido com a diminuição na quantidade de resíduos sólidos

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“Ficamos de lado porque eles nos veem como algo que não era para existir”, afirma Maria Lucimar Teixeira de Oliveira, presidenta da Ascajan. | Crédito: Foto: Francisco Barbosa

Segundo levantamento do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), existem cerca de 800 mil catadores e catadoras em atividade no país, sendo 70% do gênero feminino.

Mas, com a pandemia, as cooperativas de materiais recicláveis têm sofrido com a diminuição na quantidade de resíduos sólidos para coleta, triagem e venda, o que tem impactado diretamente na renda de quem tira o sustento familiar da reciclagem. 

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Esse é o caso das 16 trabalhadoras da Cooperativa de Mulheres Palha de Arroz, no bairro do Arruda, em Recife, como analisa Kátia Karina da Silva, que é tesoureira da cooperativa. “Então, foi muito complicado esse fato da pandemia para todo mundo, e para nós também. E até agora ainda está impactando a questão do resíduo, porque está muito pouco. Não só aqui, mas em todas as cooperativas” afirma a tesoureira.

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Em Fortaleza, a situação não é diferente. Para a Associação dos Catadores do Jangurussu (Ascajan), no bairro que leva o mesmo nome, a falta dos resíduos fez com que os 65 colaboradores recorressem à cestas básicas de parceiros para sobreviver.

Maria Lucimar Teixeira de Oliveira, presidenta da Ascajan, fala sobre esses impactos: “O impacto da pandemia foi ruim, porque a maioria – a maioria não, todos – de doadores fechou, ficou muito poucos abertos e nós caímos e muito. Mas graças a Deus teve uma parceria que deu cesta básica”. 

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Lucimar começou a trabalhar como catadora aos nove anos, junto aos seus pais em um lixão, que foi desativado no final dos anos 1990 e deu origem à Ascajan. Hoje, aos 42 anos, ela sente falta de incentivos do poder público para o trabalho. “Os órgãos públicos podiam olhar mais para os catadores, que é uma coisa que eles não olham. Tem muitas coisas que a gente faz que para eles não é nada. E sabendo eles que quem está limpando o planeta é a gente”, pondera a presidenta.

No Recife, a cooperativa Palha de Arroz sentiu menos impacto, já que associação atua em parceria com a Prefeitura da Cidade do Recife e recebe os materiais da Autarquia de Manutenção e Limpeza Urbana do Recife (Emlurb), responsável pelo recolhimento dos resíduos da cidade, além de doações de parceiro e amigos da cooperativa.

 

Editado por: Vanessa Gonzaga

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