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Pixação é arte? Programa Bem Viver aprofunda debate a partir de filme sobre artista presa

Filme “Pivetta” conta sobre ativista Carolina Pivetta, presa por realizar um protesto pixando paredes da Bienal de SP

Ouça o áudio:

Carol Pivetta e a filha Ísis em visita à Bienal de 2018, dez anos depois que a artista foi presa no mesmo local. - Divulgação do filme
São jovens, pobres, que querem dizer: ‘Eu estou aqui!’

Como você enxerga as pixações nas cidades? A edição de hoje (14) do Programa Bem Viver te convida para aprofundar essa reflexão a partir do filme “Pivetta”, que conta a história da artista e ativista Caroline Pivetta, detida por realizar um protesto pixando uma das paredes da Bienal de Arte de São Paulo, durante o evento de 2008. Ela ficou presa por dois meses na maior penitenciária feminina da América Latina.

Embora cause polêmicas, a pixação é entendida por críticos como a expressão artística de um extrato da sociedade. Ela se propõe a falar sobre seu tempo e a denunciar conflitos que esse grupo vivencia.

“Claro que se uma pessoa pinta seu muro e no outro dia aparece uma pichação ela não vai gostar. Mas essas pessoas querem dizer algo, querem se expressar. São jovens, pobres, que querem dizer: ‘Estou aqui! Essa cidade não é só da Coca Cola e da Magazine Luiza, nos também fazemos parte dessa cidade’”, avaliou a produtora-executiva do filme Tereza Novaes.

Na Bienal de 2008, que ficou conhecida como Bienal do Vazio, por manter um andar inteiro sem obras, um grupo de pixadores entrou no prédio para realizar a intervenção. Apenas Pivetta foi presa. No filme, ela retorna a Bienal de 2018, acompanhada da filha caçula, Ísis, para provocar uma reflexão sobre o ocorrido.

“Foi um caso de machismo. Os outros meninos conseguiram fugir, ela não. Ela é uma artista, se reconhece como tal e acredita muito nela e no trabalho dela. Ela faz algo que é combatido, que as pessoas não entendem”, disse.

Os demais pixadores do grupo, que conseguiram fugir, foram convidados para participar da Bienal de Berlim, na Alemanha. Enquanto isso, Pivetta foi presa e respondeu a processos judiciais.

“Eu me interesso muito por mulheres em espaços majoritariamente masculinos, como a pixação. Esta pessoa tem grande força. Ser minoria em um espaço é sempre difícil”, pontuou. “Queremos contar histórias de pessoas que estão nas margens. Já temos novelas da Globo e cinema, que precisam existir. Mas precisa existir também as histórias das pessoas que não são ouvidas”.

Mapeando ditadores

Você já se deparou com ruas, avenidas, ou equipamentos públicos com nomes de ditadores do regime militar? Um aplicativo para celular desenvolvido por um coletivo da Universidade de São Paulo, chamado Ditamapa, indica onde existem homenagens com referências à ditadura militar.

A ideia é questionar porque personagens históricos que representam falta de democracia e autoritarismo são homenageadas e fazem parte do cotidiano de milhares de pessoas, refletido sobre o impacto dessas homenagens no entendido coletivo da história do país.

Recentemente, a capital paulista elaborou uma lista com 40 monumentos considerados controversos por homenagearem figuras polêmicas da história brasileira. Segundo a prefeitura, o objetivo não é retirá-los, mas debater a existência deles.

Outra decisão importante da prefeitura paulistana foi a construção de cinco estátuas em homenagem a figuras negras. São elas, Carolina de Jesus, Itamar Assumpção, Madrinha Eunice, Geraldo Filme e Adhemar Ferreira da Silva. O início das obras está previsto ainda para este mês.

MST premiado

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) recebeu uma premiação internacional na Espanha em reconhecimento a atuação na defesa dos direitos humanos. Membros da equipe organizadora do prêmio estiveram no Brasil, acompanharam o trabalho do MST em assentamentos de terra e reafirmaram que o reconhecimento é muito justo.

Enquanto isso, no Brasil, o MST segue mobilizado há quase um ano pela aprovação no Congresso Nacional de um projeto de lei que garanta medidas de apoio a agricultores familiares. Uma proposta com essa intenção chegou a ser aprovada, mas foi desconfigurada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Apesar de sancionar o projeto, ele cortou trechos fundamentais, como os que garantiam um auxílio emergencial e ampliação na linha de crédito.

Este ano, em uma articulação com a bancada do PT, um novo projeto foi apresentado no Congresso, na tentativa de resgatar pontos importantes descartados pelo presidente. O texto já foi aprovado pelo Congresso e está na mesa de Bolsonaro, aguardando avaliação. Movimentos do campo criaram a “Coalizão contra a Fome” para pressionar o presidente pela aprovação do projeto na íntegra.

Violência no campo

O Brasil é o quarto país mais perigoso para defensores do meio ambiente: só no ano passado foram 20 lideranças mortas por questões relacionadas à proteção de territórios ou de recursos naturais, segundo o relatório “A última linha de defesa”, da organização não governamental Global Witness, divulgado nesta segunda-feira (13). Apenas Colômbia, Filipinas e México registraram mais assassinatos que o Brasil.

Também ontem, a alta comissária das Nações Unidas para Direitos Humanos, Michelle Bachelet, voltou a incluir o país em uma lista com pelo menos 40 nações onde situação dos direitos humanos é considerada como “preocupante”. É o segundo ano consecutivo em que o Brasil figura nessa lista.

Segundo reportagem do portal UOL, Bachelet alertou sobre a proposta de lei antiterrorismo em tramitação no Congresso Nacional, pontuando que o texto ameaça ativistas de direitos humanos e entidades da sociedade civil. Ela também chamou atenção para a situação dos povos indígenas, em especial os Yanomami.


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Edição: Sarah Fernandes