meio ambiente

Crianças ambientalistas contam como atuar na defesa dos animais, no Radinho BdF

No Dia Mundial dos Animais, ativistas mirins falam sobre ações de proteção de espécies domésticas e silvestres

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Perda de habitat e caça ilegal são principais ameaças aos animais silvestres no Brasil
Perda de habitat e caça ilegal são principais ameaças aos animais silvestres no Brasil - Wikimedia Commons
De não promovermos mudanças agora, não teremos um mundo para as futuras gerações

Animais das mais variadas espécies, formas e tamanhos são os convidados especiais da edição de hoje (29) do Radinho BdF, que celebra o Dia Mundial dos Animais, comemorado em 4 de outubro. Por isso, o programa entrevista crianças ativistas ambientais, que arregaçam as mangas para defender os animais e os biomas brasileiros.

Independente do habitat em que vivam naturalmente, os animais têm um papel fundamental para a manutenção da vida no planeta Terra. Mesmo assim, a ação humana tem afetado significativamente as espécies e alterado o modo de vida da maioria delas.

“Eu acho superimportante mais crianças tomarem partido, porque se não promovermos mudanças agora a gente não ter um mundo para as futuras gerações ou para nós mesmos daqui há alguns anos”, defende a ativista ambiental Bruna Sachs, de 12 anos, que é embaixadora mirim das organizações Animal Hero Kids e a Youth Climate Save Brasil. “Nós defendemos todos os animais: terrestres, aquáticos, que estão nos céus, mamíferos, qualquer um.”

O Dia Mundial dos Animais foi sugerido pela Igreja Católica em 1930, porque na mesma data é celebrado o Dia de São Francisco de Assis, o padroeiro dos animais. Nas religiões de matrizes africanas como o Candomblé e a Umbanda, o orixá que corresponde a figura de guardião dos animais e da floresta é Xangô.

Mas a data só passou a ser celebrada depois da Declaração Universal dos Direitos dos Animais, aprovada pela Unesco em outubro de 1978.

“Esse documento fala sobre respeito aos animais e sobre igualdade. Essa é uma percepção importante para a gente perceber que não somos superiores. Somos animais como eles. Outra questão é o direito a liberdade e a vida que são extremamente importantes para a gente perceber que animais não devem ser explorados e viverem em função dos humanos”, diz a bióloga Júlia Trevisan, que trabalha na ONG Proteção Animal Mundial.

Um livro para os animais

Independente da idade, sempre é importante refletir sobre o que está acontecendo à nossa volta, dar opiniões e pensar em maneiras de contribuir ou transformar o mundo. Foi o que fez a Ágatha Luiza Borba Barrocas, de 8 anos, que escreveu e ilustrou o livro "Eu Gosto dos Animais". “Eu fiz o livro porque queria ajudar os animais. Essa semana chegaram os meus livros para doar para escolas públicas para que mais crianças possam conhecer sobre respeito aos animais”, conta.

A publicação fala da importância do respeito e dos direitos dos animais. Toda a renda arrecadada com a venda do livro é revertida para a organização não governamental Santuário das Fadas, do Rio de Janeiro, que resgata animais domésticos e silvestres em situação de risco e maus tratos.

Se você se interessou pelo livro, é só enviar uma mensagem para a Ágatha no Instagram para adquirir ou fazer a doação de um exemplar para escolas e instituições.

Proteção para animais domésticos e silvestres

No nosso cotidiano os gatos, cachorros e outros animais de estimação são companheiros de brincadeiras e de momentos especiais da criançada. Mas mesmo as espécies domésticas podem sofrer maus tratos, abandono e até serem usados como reprodutores para a venda de filhotes, o que não é uma prática respeitosa.

Os animais silvestres também sofrem diversas ameaças, como contou a integrante da organização internacional WWF, Gabriela Moreira, que é responsável pela proteção de espécies ameaçadas.

“A principal ameaça é a perda de habitat, que é a casa onde os animais vivem. Se alguma coisa estraga a casa desses bichos, eles vão ficar com sua sobrevivência comprometida. E como a gente estraga a casa de um bicho? Cortando uma árvore ou jogando plásticos nos mares, por exemplo. Outra ameaça é a caça e o tráfico de animais e a terceira grande ameaça é a introdução de espécies exóticas no ambiente”, pontua.

Um estudo feito por pesquisadores italianos em outubro de 2020 indicou que pelo menos 14 milhões de toneladas de plásticos estão submersas nos oceanos. Esse é um dos grandes problemas a serem enfrentados quando falamos da vida marinha.

Parte do trabalho da Fundação Mamíferos Aquáticos que a ativista Nalu Vergara Parente, de 11 anos, faz parte é contribuir para resolver esses problemas. “Eu comecei a ajudar na organização desde muito pequena. Eu participo do manejo dos animais, como a soltura de dois peixes bois que foram devolvidos na natureza depois de serem reabilitados”, contou. “Os mamíferos marinhos sofrem muitas ameaças: eles ficam presos e redes de pesca e acabam comendo plástico, confundindo com alimentos.”

Música, brincadeira e história

Na Vitrolinha BdF, a criançada pode dançar ao som músicas inspiradas nos animais, como “Passaredo”, de Chico Buarque, “Bichos do Mar”, do Lenine, e “Língua dos Animais”, de Marisa Monte.

Na história, os ouvintes mirins acompanham a tartaruga Cascuda na aventura de atravessar o oceano para depositar seus ovos na mesma praia onde nasceu, driblando obstáculos perigosos. Quem conta é a contadora de histórias Márcia Marçal.

E para brincar, as crianças embarcam em uma viagem para o interior da Bahia para se divertir com a brincadeira "Periquitim Maracanã". Quem ensina é a pesquisadora Lucilene Silva, que viaja o Brasil conhecendo brincadeiras de crianças de diferentes regiões.


Toda quarta-feira, uma nova edição do programa estará disponível nas plataformas digitais. / Brasil de Fato / Campanha Radinho BdF

Sintonize

O programa Radinho BdF vai ao ar às quartas-feiras, das 9h às 9h30, na Rádio Brasil Atual. A sintonia é 98,9 FM na Grande São Paulo e 93,3 FM na Baixada Santista. A edição também é transmitida na Rádio Brasil de Fato, às 9h, que pode ser ouvida no site do BdF.

Em diferentes dias e horários, o programa também é transmitido na Rádio Camponesa, em Itapeva (SP), e na Rádio Terra HD 95,3 FM.

Assim como os demais conteúdos, o Brasil de Fato disponibiliza o Radinho BdF de forma gratuita para rádios comunitárias, rádios-poste e outras emissoras que manifestarem interesse em veicular o conteúdo. Para fazer parte da lista de distribuição, entre em contato pelo e-mail: [email protected]

Edição: Sarah Fernandes