Crise humanitária

São Paulo tem mais de 66 mil pessoas em situação de rua, aponta levantamento

Jornal Brasil Atual também traz análise sobre desestruturação de Instituto Adolfo Lutz por parte do governo Doria

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"Há muitas famílias, famílias inteiras com crianças, inclusive crianças recém-nascidas vivendo em situação de calçada, procurando abrigos", afirma presidente do MEPSR-SP, Robson Mendonça - Jorge Araújo/Fotos Públicas

São Paulo tem hoje mais de 66 mil pessoas vivendo nas ruas cidade. É o que mostra levantamento do Movimento Estadual da População em Situação de Rua (MEPSR-SP). O número – 66.280 – é quase três vezes maior do que registrado pelo censo oficial da prefeitura de São Paulo, realizado em 2019, que apontou para 24.344 pessoas sem-teto. 

A avaliação da entidade é que a crise econômica, agravada na pandemia de covid-19, provocou um aumento no número de pessoas em situação de rua. O presidente do movimento, Robson Mendonça, ainda adverte que, junto à emergência sanitária, houve uma mudança no perfil e nas necessidades dessa população.

“Há muitas famílias, famílias inteiras com crianças, inclusive crianças recém-nascidas vivendo em situação de calçada, procurando abrigos. Como a prefeitura não está preparada para isso, não tem abrigos para essas famílias, aumentou muito o número de pessoas em estado de vulnerabilidade social, chegando a mais do que 50%. Antes (da pandemia) havia uma procura (da população de rua) por documentação, cursos profissionalizantes, agora não. Eles procuram por barraca para ficar com as crianças e por alimentos. Buscam uma maneira de se abrigar, se alimentar e a prefeitura tem como atender as demandas deles. Mas isso não acontece”, comenta Mendonça à repórter Júlia Pereira, da Rádio Brasil Atual.

Uma das frentes de atuação do movimento para atenuar essa crise é a entrega de marmitas pelo programa Rede Cidadã. O projeto emergencial foi criado pela prefeitura no início da pandemia, no ano passado. A iniciativa, contudo, quase foi extinta no mês passado pelo município, que acabou recuando da decisão, adiando o encerramento do Rede Cozinha Cidadã para dezembro.

A decisão foi tomada após manifestação de diversas organizações, entre elas, o Movimento Estadual da População em Situação de Rua. Robson Mendonça chegou a se acorrentar nos portões da Câmara Municipal em um ato contra o fim do programa. Dias depois, Mendonça se reuniu junto ao presidente da Câmara, o vereador Milton Leite (DEM), que garantiu, em contato com o prefeito Ricardo Nunes (MDB), a continuidade do Rede Cozinha Cidadã até o final deste ano. 

Na mesma reunião, Legislativo e Executivo assumiram a promessa de abrir um espaço de diálogo com a sociedade civil para a formulação de um programa permanente de distribuição de refeições para a população em situação de rua. Na semana passada, diversas entidades encaminharam um ofício ao prefeito solicitando uma reunião sobre o assunto, de acordo com o coordenador da Associação Rede Rua, Alderon Costa, conselheiro do Comitê Pop Rua, órgão da secretaria municipal de Direitos Humanos. 

“Encerrar totalmente o Rede Cozinha Cidadã, deixando só para o Bom Prato e para os centros de convivência, é impossível. A população em situação de rua irá morrer de fome, isso é certeza”, alerta Alderon.

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