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No Dia dos Professores, Programa Bem Viver discute desafios dos docentes no país

Carreira docente segue em constante luta por direitos e melhores condições de trabalho

Ouça o áudio:

professora em sala de aula
Professores lutam por melhor salários e melhores condições de carreira - Valter Campanato/Agência Brasil
Bolsonaro tenta impedir a livre expressão e as formas de resistência nas universidades

Neste 15 de outubro o Programa Bem Viver celebrado o Dia dos Professores, prestando uma homenagem aos educadores, tão fundamentais para o desenvolvimento do país. Vale relembrar dos mestres que marcaram nossa vida e parabenizar quem se dedica a essa atividade tão importante. Porém, é urgente também aproveitar a data para problematizar a situação desse profissional no Brasil: é uma carreira em constante luta por direitos e melhores condições de trabalho.

Especialistas concordam que o Brasil tem muito a evoluir para garantir salário adequado e direitos aos professores. Com o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), a categoria vem sendo alvo de ataques, em todas as etapas da educação básica.

Também nas universidades a situação é alarmante: Institutos Federais tiveram a escolha do reitor feita apenas pelo presidente, ignorando o candidato escolhido pelo colegiado das instituições em pelo menos 40% dos casos. Isso porque, apesar de existir um processo democrático para eleger o reitor, o presidente da república pode nomeá-lo ou não no final. Assim, Bolsonaro tem colecionado intervenções autoritárias, o que não acontecia nas últimas décadas.

“O autoritarismo já vinha muito presente nas universidades pela lógica neoliberal que impõe um produtivismo que nada tem a ver com produção científica e que não consegue fazer com que o país desenvolva uma ciência sólida, que responda às necessidades do povo brasileiro”, disse o educador Daniel Cara, professor da Universidade de São Paulo e dirigente da Campanha Nacional pelo Direito à Educação. “Além dessa imposição existe também uma pressão de ordem fascista, que é própria do governo Bolsonaro, para impedir a livre expressão e as formas de resistência.”

Leilão de Petróleo

Na última semana, o governo federal realizou o leilão de partes do litoral nordestino para a exploração de petróleo, mas não conseguiu completar o objetivo. Ambientalistas comemoraram o resultado porque as áreas oferecidas estão em um dos locais mais ricos do mundo em termos de biodiversidade: os entornos de Fernando de Noronha e do Atol das Rocas.

Se ocorrer um incidente e houver um derramamento de óleo, o dano será irreversível e o Brasil pode perder centenas de espécies de animais e plantas marinhas, alertam especialistas.

Dos 92 locais ofertados, apenas cinco foram adquiridos por empresas do setor. O governo, porém, colocou o restante dos lotes em venda permanente, o que permite que a qualquer momento uma empresa possa realizar a compra.

O governo Bolsonaro já tinha realizado leilões de áreas de importante biodiversidade. A primeira vez foi em 2019, também sem alcançar o resultado esperado.

De bike em busca de sementes

Um casal cearense saiu do assentamento de terra onde vive e percorreu 10 mil quilômetros pela América Latina de bicicleta para encontrar e reunir as sementes crioulas. Em suas terras, o casal tinha apenas acesso às sementes produzidas pelo agronegócio, que são estéreis e não se reproduzem, tornando os agricultores sempre dependentes das grandes empresas do setor.

As sementes crioulas são cuidadas há gerações por agricultores tradicionais. Elas se opõem às produzidas pelo mercado do agronegócio, que as modifica geneticamente para que elas se tornarem, teoricamente, mais adequadas ao plantio. Na prática isso significa o apagamento de milhares de anos da agricultura e das formas tradicionais de cultivo.


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Edição: Sarah Fernandes