políticas sociais

Programa Bem Viver: fim do Bolsa Família aumenta insegurança alimentar, fiscal e orçamentária

Ex-ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, classifica ação como “irresponsável” e “criminosa”

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"Estão pegando algo certo que funciona, jogando na lata do lixo, e trocando por uma aventura", diz Tereza Campello sobre substituição do bolsa Família pelo Auxílio Brasil de Bolsonaro - Rafael Lampert Zart/Agência Brasil
Governo coloca em risco milhões de famílias só para mudar o nome do programa

O fim do Bolsa Família, principal política social brasileira, aumenta o risco de insegurança alimentar, fiscal e orçamentária para o país, segundo a economista Tereza Campello, ex-ministra do Desenvolvimento Social e Combate a Fome no governo da ex-presidenta Dilma Rousseff. Após 18 anos, o programa foi encarrado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) que ainda não deu certeza sobre quando e como ele será substituído.

“Isso gera insegurança jurídica, fiscal e orçamentaria para o país e para as famílias”, disse Teresa, em entrevista à edição de hoje (3) do Programa Bem Viver. “É uma situação muito preocupante e de grande irresponsabilidade. Tudo isso está acontecendo porque o governo quer mudar o nome do Bolsa Família. Ele coloca em risco milhões de famílias e todo o funcionamento das políticas públicas do país.”

O último pagamento foi realizado foi em 31 de outubro. A política deve ser substituída por um novo programa, chamado Auxílio Brasil, que também entrará no lugar do Auxílio Emergencial, pago às famílias mais vulneráveis durante a pandemia. Porém, o funcionamento do novo programa ainda não foi detalhado pela gestão Bolsonaro, que não confirmou sequer de onde virá a verba para pagá-lo.

“Isso gera um grande risco de apagão: as pessoas que mais precisam podem não receber nem o Bolsa Família, nem o Auxílio Brasil, nem o Auxílio Emergencial. Então teremos os 39 milhões de beneficiários dos programas sem nada”, disse Teresa. “As famílias que estamos contatando estão desesperadas, porque não vão ter dinheiro para se alimentar esse mês e por um motivo pequeno, que é mudar o nome do programa.”

O Bolsa Família foi reconhecimento internacionalmente por ser um programa de transferência de renda capaz de combater a fome e reduzir a pobreza, em especial porque condiciona o pagamento a frequência das crianças na escola e à vacinação e porque repassa a verba para as mulheres, aumentando a autonomia feminina.

“A mortalidade infantil reduziu no Brasil. Em cada três crianças que morriam uma deixou de morrer graças ao Bolsa Família. O que pode justificar acabar com um programa que fez isso?”, questionou. “É uma ação criminosa. Além da gestão genocida da pandemia, Bolsonaro tem uma gestão genocida do aumento da fome do Brasil.”

Pandemia na Venezuela

A Venezuela liberou a população do isolamento social, que estava vigente em formato de rodízio no país. A partir de 1 de novembro não há mais restrições relacionadas à quarentena. A flexibilização preocupa, em especial porque apenas 30% da população está completamente imunizada.

Segundo dados do governo venezuelanos, 4.900 pessoas morreram no país até ontem (2) devido ao coronavírus. A Venezuela tem uma população de 28 milhões de habitantes, pouco mais que a de Minas Gerais. Em uma comparação, o número de óbitos no país é menor do que o do estado mineiro, onde mais de 55 mil pessoas morreram em decorrência da covid-19.

COP 26

Ontem, pelo menos 100 países, incluindo o Brasil, assinaram um compromisso global para reduzir as emissões de gás metano, um dos principais gases de efeito estufa, durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 26), que ocorre na Escócia. O representante do governo brasileiro no evento é o ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite.

Estudos publicados no ano passado nas revistas científicas internacionais “Environmental Research Letters” e “Earth System Science Data” apontam que entre 20% e 25% do metano presente na atmosfera é de origem agropecuária. Uma quantidade semelhante de gás metano é liberada na atmosfera pela queima de combustíveis fósseis. Os números são de 2017, últimos disponíveis.

Ontem, o ex-ministro do meio ambiente Ricardo Salles escreveu em uma rede social que "os ricos querem convencer o mundo de que o problema dos gases de efeito estufa está no peido de boi, e não nos combustíveis fósseis que eles queimam loucamente há 200 anos”.

Os bovinos são conhecidos por emitir metano nos gases intestinais. O Brasil tem o maior rebanho bovino do mundo, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) e é um dos cinco maiores emissores mundiais de metano.

A voz dos indígenas

Na segunda-feira (1), dia primeiro da COP 26, um momento histórico marcou o evento: o discurso da ativista indígena brasileira Txai Suruí. Na Conferência, a jovem de Rondônia falou sobre a necessidade de medidas urgentes para frear as mudanças climáticas, além de ressaltar a importância dos povos indígenas na proteção da Amazônia.

Por conta do seu ativismo, a jovem já teve os pais ameaçados de morte e amigos assassinados em sua terra indígena. Em seu discurso, ela denunciou as violências contra os povos originários do Brasil e defendeu que é possível uma convivência harmônica com a natureza.

Jogo sobre saberes tradicionais

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) ganhou um prêmio em um festival de jogos digitais por ter desenvolvido um jogo de tabuleiro que incentiva e valoriza o uso de plantas medicinais. Chamado “Semeando Cuidado”, ele sistematiza todo um conhecimento ancestral sobre plantas medicinais a partir do diálogo com comunidades, que indicam receitas de preparo e de uso.

Bototerapia

Já ouviu falar em Bototerapia? Trata-se de sessões de fisioterapia que envolvem a interação com botos-cor-de-rosa. O tratamento é voltado para pessoas com deficiência e é realizado nas águas do Rio Negro, do Amazonas.

Além dos benefícios para a saúde dos pacientes, o projeto voluntário também inclui educação ambiental, já que é realizado com animais livres, diferente de outras iniciativas que ocorrem com animais em cativeiro.


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O programa vai ao ar de segunda a sexta-feira, das 11h às 12h, com reprise aos domingos, às 10h, na Rádio Brasil Atual. A sintonia é 98,9 FM na Grande São Paulo.

Em diferentes horários, de segunda a sexta-feira, o programa é transmitido na Rádio Super de Sorocaba (SP); Rádio Palermo (SP); Rádio Cantareira (SP); Rádio Interativa, de Senador Alexandre Costa (MA); Rádio Comunitária Malhada do Jatobá, de São João do Piauí (PI); Rádio Terra Livre (MST), de Abelardo Luz (SC); Rádio Timbira, de São Luís (MA); Rádio Terra Livre de Hulha Negra (RN), Rádio Camponesa, em Itapeva (SP), Rádio Onda FM, de Novo Cruzeiro (MG), Rádio Pife, de Brasília (DF), Rádio Cidade, de João Pessoa (PB), Rádio Palermo (SP), Rádio Torres Cidade (RS) e Rádio Cantareira (SP).

A programação também fica disponível na Rádio Brasil de Fato, das 11h às 12h, de segunda a sexta-feira. O programa Bem Viver também está nas plataformas: Spotify, Google Podcasts, Itunes, Pocket Casts e Deezer.

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Edição: Sarah Fernandes