Lira na mira

Orçamento secreto: Rosa Weber, Cármen Lúcia e Barroso votam por suspensão

Para Cármen Lúcia, orçamento secreto é uma "forma de cooptação de apoio político" por Bolsonaro

Rosa Weber votó contra la prisión de condenados en segunda instancia en 2016
Rosa Weber votó contra la prisión de condenados en segunda instancia en 2016 | Crédito: Fellipe Sampaio/SCO/STF

Cerca de uma hora após a abertura da sessão virtual no Supremo Tribunal Federal, à meia noite desta terça-feira (9), Cármen Lúcia e Luís Roberto Barroso seguiram a posição da relatora, a ministra Rosa Weber, e votaram pela suspensão do chamado “orçamento secreto“, manobra imposta por Jair Bolsonaro (sem partido) junto ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), para comprar votos de deputados para propostas governistas no Congresso.

Na última sexta-feira (5), Rosa Weber concedeu uma liminar suspendendo o medida, o que gerou novo atrito entre o parlamento e o judiciário. Nesta segunda-feira (8), Lira esteve com o presidente do STF, Luiz Fux, negociando uma proposta para manter o esquema bolsonarista na Câmara.

Nas últimas semanas, essas emendas de relator, que já somam R$ 16,9 bilhões, foram muito utilizadas por Lira para para garantir a aprovação em 1° turno da PEC dos Precatórios, o calote que permitirá ao governo Jair Bolsonaro destinar R$ 63 bilhões para o pagamento do eleitoreiro programa Auxílio Brasil, distribuindo R$ 400 mensais a 17 milhões de famílias até dezembro do ano que vem, quando acontecerá a disputa ao Palácio do Planalto.

Alegando falta de transparência, a ministra suspendeu a manobra e levou o caso ao plenário da corte. Bolsonaro atacou a ministra dizendo que a decisão é injusta por não haver “barganha”.

Voto de Cármen Lúcia denuncia “cooptação” do Congresso por Bolsonaro

Em seu voto, Cármen Lúcia classificou a manobra governista como “forma de cooptação de apoio político pelo Poder Executivo”, que “afronta o princípio da igualdade”.

“A utilização de emendas orçamentárias como forma de cooptação de apoio político pelo Poder Executivo, além de afrontar o princípio da igualdade, na medida em que privilegia certos congressistas em detrimento de outros, põe em risco o sistema democrático mesmo”, escreveu.

::Bolsonaro nomeou 14 filiados a partidos do centrão para comandar ministérios em 2 anos e meio::

Segundo a ministra, “esse comportamento compromete a representação legítima, escorreita e digna, desvirtua os processos e os fins da escolha democrática dos eleitos, afasta do público o interesse buscado e cega ao olhar escrutinador do povo o gasto dos recursos que deveriam ser dirigidos ao atendimento das carências e aspirações legítimas da nação”.

Barroso seguiu o entendimento das ministras, mas até a madrugada desta terça-feira a íntegra de seu voto ainda não havia sido divulgada.

Conteúdo originalmente publicado em: Revista Fórum

|

Newsletter