direitos humanos

Projeto que resgata história da luta popular encerra atividade. Entenda no Programa Bem Viver

Duzentos e cinquenta mil documentos do Centro de Documentação e Pesquisa Vergueiro serão encaminhados para a Unicamp

Ouça o áudio:

protesto popular durante Durante a ditadura militar no Brasil - Reprodução/Arquivo Nacional
Trabalhadores têm dificuldade de manter sua história, mas da elite segue com sua narrativa

O Centro de Documentação e Pesquisa Vergueiro (CPV), entidade histórica responsável por preservar pelo menos 250 mil documentos relacionados aos movimentos operário e popular da América Latina, encerra suas atividades no sábado, com o lançamento do Projeto Memória, ação para manter e preservar a história da luta popular no Brasil.

“Em função da dificuldade de financiamento do trabalho de documentação, que é muito caro e invisível, foi difícil manter. Passamos grande parte dos documentos para o arquivo da Unicamp [Universidade Estadual de Campinas], que vai ficará responsável pelo material”, disse um dos responsáveis pelo lançamento do projeto, o jornalista Aldo Aldesco, em entrevista a edição de hoje (25) do Programa Bem Viver.

O Projeto Memória será o marco final do CPV, que seguirá existindo apenas de forma virtual. Ao longo do dia, será transmitido um documentário e lançados dois livros que trazem documentos inéditos sobre os movimentos populares da década de 1980 e 1970 na América Latina.

“É fundamental que os trabalhadores tenham sua história preservada. Temos registros do movimento social de um período importante da história recente do Brasil, na luta contra a ditadura e pela redemocratização. É um registro da luta dos trabalhadores para as próximas gerações”, disse Aldo. “Os trabalhadores têm dificuldade de ter sua história preservada pela dificuldade de recurso, mas da elite econômica consegue manter sua narrativa da história.”

Lixo nuclear

Pelo menos 3 mil toneladas de material radioativo estão armazenadas há 10 anos em uma área do município de Itu, no interior de São Paulo, sem licenciamento ambiental. Há anos, um relatório da Companhia Ambiental do estado já apontava uma série de riscos por conta do armazenamento inadequado, incluindo ameaças à saúde da população e da equipe de vigilância, já que o local fica próximo de um manancial, de onde vem a água que abastece a região.

O problema começou ainda na década de 1980, quando a empresa que fazia a extração de material radioativo fechou. Ela foi acusada de incidentes com trabalhadores e pela morte de um funcionário devido ao vazamento de elementos radioativos. Autoridades não esclareceram o caso e parte do rejeito produzido pelas atividades da empresa foi descartado sem segurança em Itu.

Organizações sociais e até prefeituras cobram explicações para o fato de material ainda estar lá. A Comissão Nacional de Energia Nuclear, órgão ligado ao governo federal, responde que existe interesse no material, que possui alto valor e diferentes utilidades.

No governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), a ideia de reaproveitar materiais radioativos ganhou força devido ao plano de expandir a produção de energia nuclear no Brasil, uma decisão que vai contra a tendência da maioria dos países.

Mercedes Sosa

Nesta semana, foi lançado a primeira biografia em português de uma das grandes personalidades da América Latina: a cantora e ativista Mercedes Sosa. A biografia recém lançada foi traduzida do inglês e escrita por uma autora dinamarquesa, que concedeu entrevista ao Brasil de Fato.

Nascida na Argentina, de origem indígena, Mercedes Sosa foi atuante no partido comunista e conquistou fama em diversas partes do mundo como artista, sendo admirada por muita gente, independentemente de orientação política. É muito difícil encontrar, por exemplo, alguém que não conheça a música “Gracias a la Vida”, composta por Violeta Parra e imortalizada na voz de Mercedes, que faleceu em 2009.


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Edição: Sarah Fernandes