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Programa Bem Viver: ‘Novidade em 2022 seria um negro no poder’, diz ativista Douglas Belchior

Fundador da Uneafro defende que cenário eleitoral de 2022 não está definido e que demandará muita articulação

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Douglas Belchior - Foto: Arquivo Pessoal
Nenhuma lei de garantia de direito foi uma oferta dos governantes. Sempre foi pressão dos movimentos

O professor e ativista político Douglas Belchior, referência no Movimento Negro brasileiro, defende que independente do resultado das eleições presidenciais do próximo ano, o povo preto não deve esperar uma resolução simples dos problemas raciais no país. Pelo contrário, na sua avaliação o cenário eleitoral não está definido e demandará muita articulação dos movimentos sociais.

“A novidade para esse país seria um negro no poder. O que pode acontecer de novo senão aqueles que nunca ocuparam o poder ocuparem?”, questionou em entrevista ao Brasil de Fato Entrevista, repercutida na edição de hoje (26) do Programa Bem Viver. “O [presidente Jair] Bolsonaro (sem partido) aparece nas pesquisas com cerca de 20% dos votos. Com muitas candidaturas, esse percentual pode colocar o sujeito no segundo turno. Não tem nada ganho.”

Fundador da Uneafro e membro da Coalizão Negra por Direitos, o ativista refletiu sobre como a população enxerga o 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, e como essa data é uma conquista da população preta. Ele lembrou que no ano passado, próximo a data, o trabalhador João Alberto Freitas foi assassinado por seguranças privados da rede de mercados Carrefour, em Porto Alegre.

“Nenhuma lei de garantia de direito foi uma oferta dos governantes. Sempre foi pressão dos movimentos, inclusive para lutas mais segmentadas, como as legislações que garantem direitos para a população negra. Em 2021 temos legislações que garantem direitos em várias frentes e isso é uma conquista do movimento”, disse Belchior.

Black Friday

Hoje é o dia oficial da Black Friday, uma campanha publicitária de descontos em produtos, que iniciou nos Estados Unidos e migrou para diversos países, inclusive para o Brasil. Durante novembro grandes redes de lojas lançam promoções especiais com o objetivo de aumentar as vendas e o faturamento. Porém, os pequenos negócios têm perda de arrecadação nesse período.

Isso porque gigantes do varejo estabelecem grandes promoções, que os pequenos não conseguem cobrir ou sequer se aproximar, já que não possuem estrutura tão grande para negociar preços e aumentar os descontos.

O Brasil de Fato conversou com livrarias do país para entender qual o impacto no setor. Esse segmento é um dos mais atingidos porque a rede de comércio online Amazon, que tradicionalmente vende livros a preços muito abaixo da média do mercado.

Garimpo ilegal no Rio Madeira

Pelo menos 300 balsas de garimpo ilegal se descolaram até parte do Rio Madeira, no Amazonas, depois da divulgação de que foi encontrado ouro no local. O alerta ocasionou um deslocamento maciço de garimpeiros, em imagens impressionantes que correram o país.

Nenhum deles possuem autorização para a atividade ou estabeleceram qualquer comunicação com órgãos competentes. Trata-se, então, de um grave crime ambiental que pode causar impactos ambientais irreversíveis na região, marcada por uma biodiversidade única. Até agora nenhuma medida foi tomada por autoridades.

O Brasil de Fato ouviu membros da organização não-governamental Greenpeace e do Conselho Indígena Missionário (Cimi) para entender o problema. Representantes das entidades alertaram que geralmente os garimpos ilegais trazem também outras infrações, como trabalho análogo a escravidão e tráfico de drogas.


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Edição: Sarah Fernandes