meio ambiente

‘Na Amazônia, as mudanças climáticas já aconteceram’, diz Dom Erwin ao Programa Bem Viver

Presidente da Rede Eclesial Pan-Amazônica reforça que é urgente ir além de acordos internacionais, com prazos longos

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Dom Erwin também é bispo emérito do Xingu (PA) - Divulgação
Disseram que vamos parar com o desmatamento em 2030. Eu pergunto: ‘o que vai sobrar até lá?

Para o presidente da Rede Eclesial Pan-Amazônica, Dom Erwin Krautler, os efeitos das mudanças climáticas no bioma já são uma realidade, que afeta a vida de espécies animais, vegetais e das pessoas que vivem na região. Ele reforça que é urgente tomar medidas efetivas para conter o desmatamento e a degradação do meio ambiente, que consigam ir além de acordos internacionais com prazos muito longos e ações pouco objetivas.

“Estou na Amazônia há 56 anos e sou testemunha que muito já mudou nessas cinco décadas. Lá, a mudança climática já aconteceu”, avaliou em entrevista a edição de hoje (30) do Programa Bem Viver. “Se você comprar a região nos anos 1960 com hoje a mudança é óbvia. Naquele tempo ninguém falava em climatização, mas hoje não tem hospital, hotel ou mesmo casas particulares que sem ar-condicionado.”

Na conversa ele avaliou os resultados da Conferência do Clima das Nações Unidas (COP26) e os efeitos da política do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre os biomas brasileiros, em especial a Amazônia.

“Tenho a sensação que toda aquela Conferência, caríssima, que gastou bilhões, nada mais foi que empurrar toda a questão com a barriga. Os prazos são sempre mais adiantados, é terrível. É como se o planeta estivesse na UTI e ficássemos buscando medidas paliativas, que não são suficientes”, pontuou. “Disseram que vamos parar com o desmatamento em 2030. Eu pergunto: ‘o que vai sobrar até lá?’”.

Acampamento 8 de Março

As 80 famílias que vivem no acampamento 8 de Março, em Planaltina (GO), fazem valer a missão de produzir alimentos saudáveis e defender a vida e a natureza. Ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST), aos trabalhadores colocam em prática projetos de doações de alimentos para os mais vulneráveis e abastecem mercados da região com alimentos orgânicos, produzidos com base no trabalho justo.

A meta para 2022 é ampliar ainda mais as atividades. Mas o desafio é grande, principalmente devido ao atual cenário político, marcado pela atuação intensa da bancada ruralista no Legislativo, além da postura do presidente Bolsonaro, que se posiciona publicamente contra as populações do campo.

A história do acampamento é destaque na edição de hoje do Programa Bem Viver, que conta o exemplo de solidariedade e trabalho coletivo dos assentados, mesmo durante a crise econômica e a inflação no preço dos alimentos.

Lideranças negras

No último dia de novembro, Mês da Consciência Negra, o Programa Bem Viver apresenta o trabalho e o perfil de onze lideranças negras de Pernambuco engajadas na luta política e social contra o racismo.

Nomes como o da política e ativista Jô Cavalcanti, do sindicalista Paulo Rocha, da defensora de direitos humanos Chopelly Santos, do líder religioso Ivo de Xambá e da jogadora de futebol Duda estão na lista.


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Edição: Sarah Fernandes