Racismo

Após investigação com polícia russa, neonazista brasileiro é condenado a quatro anos de prisão

Welker de Oliveira Guerreiro tá tinha sido condenado em 2011 por agredir moradores de rua em São Paulo

Em uma das imagens publicadas pelo réu em suas redes sociais, ele próprio inseriu o símbolo das tropas de elite do regime nazista no lugar de seu rosto | Crédito: Reprodução

Welker de Oliveira Guerreiro, simpatizante de ideologias nazistas, foi condenado a quatro anos de prisão, em regime fechado, por publicar conteúdos que fazem apologia ao regime ditatorial de Adolf Hitler. A sentença atende a pedidos do Ministério Público Federal (MPF), que havia denunciado o réu por realizar as postagens em 2015 na rede social russa vk.com. Ele poderá recorrer da decisão em liberdade.

A ordem judicial, proferida pela 1ª Vara Criminal Federal de São Paulo, determina também que, caso a vk.com tenha representantes no Brasil, eles sejam notificados para deletarem imediatamente os conteúdos, ainda disponíveis para acesso. Não havendo responsáveis pela rede social no país, a remoção das publicações deve ser feita por meio de mecanismos de cooperação internacional.

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A sentença chama a atenção para a simbologia das postagens do réu, a começar pela foto de seu perfil. Nela, o usuário aparece com o rosto coberto pelo desenho de um crânio com dois ossos cruzados. Embora atualmente menos conhecida que outros signos do nazismo, a chamada “caveira da morte” foi largamente adotada na identificação de unidades do regime totalitário alemão, entre elas a SS, o braço armado do partido de Hitler.

“Assim, logo em sua foto principal, o acusado já demonstra que é um partidário das ideias nazistas, de superioridade de raças e totalitarismo, a induzir a discriminação racial”, destacou a decisão. “A mensagem que o réu transmitiu foi uma mensagem nazista, ainda que tenha sido disfarçada por símbolos menos usuais que a tão conhecida suástica”.

O réu também criou uma página denominada “Misanthropic Division (Brasil)” na mesma rede social. A Misanthropic Division é um grupo paramilitar de extrema-direita que emergiu no contexto das revoltas nacionalistas na Ucrânia em 2014 e participou da derrubada do presidente Viktor Yanukovych. Acusada de diversas violações de direitos humanos no país do leste europeu, a organização exerce grande influência internacional sobre facções neonazistas e chegou a recrutar integrantes no Brasil.

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As autoridades identificaram o réu a partir de ações de cooperação policial entre o Brasil e a Rússia. Informados das postagens, o MPF e a Polícia Federal obtiveram com prestadoras de telecomunicação brasileiras os dados de IP do usuário e a confirmação do número de telefone celular que ele utilizou para se cadastrar na vk.com. As publicações foram feitas a partir de um dispositivo localizado em Itapecerica da Serra (SP).

O crime se enquadra no artigo 20, § 2º, da Lei nº 7.716/89, que prevê pena de prisão e multa a quem praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional, por intermédio de meios de comunicação social ou publicação de qualquer natureza. Essa não é a primeira condenação do réu por condutas vinculadas à extrema-direita. Ele já foi obrigado a cumprir serviços comunitários após fazer parte de um grupo neonazista que agrediu moradores de rua em São Paulo em 2011.

Editado por: Vinícius Segalla

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